Rússia e Ucrânia iniciaram um cessar-fogo pontual nos arredores da Usina Nuclear de Zaporizhzhia para permitir reparos e tentar restabelecer a energia externa da instalação. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou a trégua, que ocorre em meio à dependência da central de geradores a diesel.
Controlada pelas forças russas no sudeste da Ucrânia, a usina está sem fornecimento externo de eletricidade desde 20 de agosto. Sem essa conexão, os geradores de emergência mantêm os sistemas vitais de segurança e resfriamento.
Trégua abre área para reparos
Segundo a AIEA, técnicos ucranianos deveriam iniciar os trabalhos em uma linha de transmissão danificada em Ferosplavna. Antes disso, a área precisaria passar pela retirada de minas.
A agência nuclear da ONU intermediou o acordo pontual entre as partes. Dessa forma, a pausa nos combates busca criar condições de segurança para a intervenção na infraestrutura elétrica.
Alexei Likhachev, diretor-geral da estatal nuclear russa Rosatom, afirmou que o cessar-fogo temporário entrou em vigor pela manhã nos arredores da usina. Segundo ele, a previsão era que a medida durasse aproximadamente uma semana.
Usina depende de geradores a diesel
A perda da energia externa elevou a dependência dos geradores a diesel de emergência. Eles são usados para sustentar o resfriamento dos sistemas de segurança da instalação.
A AIEA alertou que a usina dispunha de pouco combustível diesel. Por isso, a central poderia enfrentar um apagão total em poucos dias caso o fornecimento externo não fosse retomado ou novas entregas de combustível não ocorressem.
O reparo da linha danificada, portanto, é uma etapa relevante para reduzir esse risco operacional. No entanto, a retomada do fornecimento não foi apresentada como consequência automática da intervenção.
Rosatom condiciona retorno da energia
Likhachev declarou que o restabelecimento da linha de Ferosplavna não garantiria, por si só, o retorno da eletricidade externa à usina. A avaliação foi apresentada pelo chefe da Rosatom ao comentar a trégua.
Ele também disse que outra linha de energia havia passado por reparos em 23 de julho. Ainda assim, conforme sua versão, ela não foi religada por uma inação atribuída às autoridades ucranianas.
A Ucrânia não havia se pronunciado publicamente sobre o cessar-fogo relatado nem sobre as declarações de Likhachev. Assim, não há posicionamento ucraniano registrado no material sobre essa acusação específica.
Guerra mantém risco nuclear elevado
Zaporizhzhia é a maior central nuclear da Europa. As forças russas tomaram o controle da usina nas primeiras semanas da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022.
Desde então, Moscou e Kiev têm trocado acusações sobre ações militares que, segundo cada lado, comprometem a segurança nuclear no local. O acordo temporário não elimina essa disputa entre as partes.
Ao mesmo tempo, a trégua concentra-se em uma necessidade imediata: permitir o acesso à infraestrutura elétrica e tentar restabelecer uma fonte externa de energia. A evolução dos reparos e do abastecimento de diesel será decisiva para a segurança operacional da usina.


