Os ataques dos EUA a barcos ligados ao narcotráfico receberam defesa do governo do Equador após três embarcações equatorianas serem interceptadas e afundadas no Oceano Pacífico entre 2 e 3 de setembro. Segundo o ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, as ações resultaram de investigações conduzidas em conjunto pelos dois países.
O Comando Sul dos Estados Unidos associou as embarcações à facção Los Choneros, apontada como a maior gangue do Equador. A organização norte-americana afirmou que uma das estruturas operava como ponto flutuante de reabastecimento para o transporte de drogas.
As declarações apresentam a operação como parte do enfrentamento à infraestrutura marítima do tráfico. No entanto, as informações disponíveis não detalham eventuais apreensões de droga, o número de pessoas a bordo ou vítimas das ações.
Operações atingem embarcações no Pacífico
As operações ocorreram entre a quarta-feira, 2 de setembro, e a quinta-feira, 3 de setembro, conforme as informações divulgadas. O governo equatoriano se manifestou publicamente em defesa da atuação norte-americana na sexta-feira seguinte.
O caso envolveu três embarcações descritas como equatorianas. Elas foram interceptadas e afundadas no Oceano Pacífico, área que integra a rota marítima citada pelas autoridades para o deslocamento de cargas ilegais.
O Comando Sul informou, em publicação divulgada em 4 de setembro, que a força-tarefa Joint Task Force Western Hemisphere atuou sob coordenação de seu comandante, o general Francis L. Donovan. O órgão também declarou ter operado em coordenação e colaboração com o governo do Equador.
Equador vincula ação à investigação
Reimberg rejeitou a ideia de que as embarcações tenham sido alvo apenas por levantarem suspeitas. Para o ministro, a ação decorreu de um trabalho investigativo voltado à rede de apoio usada pelo tráfico de drogas.
Não é uma questão de agir assim que se vê algo suspeito.
John Reimberg, ministro do Interior do Equador
“Não é uma questão de agir assim que se vê algo suspeito”, afirmou Reimberg em entrevista à emissora Teleamazonas. Na explicação do ministro, as embarcações cumpriam função logística para lanchas menores carregadas de entorpecentes.
Segundo ele, essas lanchas rápidas seguiriam para portos mexicanos e, posteriormente, a carga teria como destino os Estados Unidos. Dessa forma, o governo equatoriano situou os barcos atingidos como peças de suporte, e não como alvos escolhidos de forma aleatória.
Comando Sul associa barcos aos Choneros
O Comando Sul dos EUA afirmou que as embarcações estavam ligadas a Los Choneros. A facção surgiu no fim da década de 1990 na cidade equatoriana de Chone, segundo as informações divulgadas sobre o grupo.
As autoridades norte-americanas associam a organização ao tráfico marítimo de drogas rumo ao México e aos Estados Unidos. A alegação sustenta a justificativa apresentada pelos EUA para as interceptações no Pacífico.
Em sua manifestação, o Comando Sul classificou a operação como um corte em um ponto crítico da cadeia logística dos traficantes. Além disso, relacionou a ação aos objetivos da Coalizão Americana Contra Cartéis, identificada pela sigla A3C, e da JTF-WHEM.
Ação mira estrutura de abastecimento
O anúncio norte-americano deu destaque a uma embarcação que, segundo o Comando Sul, funcionava como estação flutuante de reabastecimento. Esse tipo de apoio, na versão apresentada pelo órgão, permitia a operação de embarcações menores usadas no transporte de drogas.
A descrição coincide com a explicação de Reimberg sobre uma cadeia em que barcos maiores dariam suporte a lanchas rápidas. Ainda assim, as informações publicadas não especificam se as três embarcações tinham a mesma função logística.
A convergência entre os governos do Equador e dos Estados Unidos está na defesa de uma ofensiva contra as rotas marítimas do narcotráfico. Enquanto Quito enfatizou a investigação conjunta, Washington destacou o vínculo alegado com Los Choneros e o objetivo de desarticular redes que chama de narcoterroristas.


