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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (25), após ser reeleito para um quarto mandato, que pretende mudar a forma de governar, ampliar a participação popular nas decisões e dar mais espaço à comunicação digital. No primeiro pronunciamento após derrotar Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo, ele também defendeu a regulamentação das grandes plataformas de tecnologia e disse que trabalhará com o Congresso escolhido pelos eleitores.

A manifestação ocorreu depois da confirmação da vitória no segundo turno. O discurso introduziu prioridades para o próximo governo, que começa em janeiro de 2027, e abordou desafios políticos da relação entre Executivo, Legislativo e empresas de tecnologia. A reeleição já havia sido noticiada; as declarações do presidente e os compromissos anunciados constituem o fato novo.

Lula promete mudar governo

Lula afirmou que buscará aproximar a população das decisões do Executivo no novo mandato. Na avaliação apresentada pelo presidente, o processo eleitoral deixou lições sobre a forma de se comunicar com os eleitores e de organizar a participação social.

O presidente anunciou que a comunicação digital deverá ganhar mais espaço em sua administração. A proposta foi apresentada como parte de uma revisão da atuação governamental, não como uma medida já regulamentada ou em vigor.

Eu posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões.”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Na fala, Lula agradeceu especialmente a jovens, mulheres e eleitores idosos. Ao comentar a mobilização da campanha, mencionou o deputado André Janones (Rede-MG), que participou da articulação de apoiadores por aplicativos de mensagens durante o segundo turno.

O presidente também destacou o vice Geraldo Alckmin (PSB), que continuará no cargo, e disse que pretende ouvir diferentes grupos da sociedade antes do início do novo mandato. Entre os segmentos citados estão empresários, educadores, cientistas e mulheres.

Diálogo com Congresso eleito

Questionado sobre a perspectiva de enfrentar uma composição parlamentar mais conservadora, Lula disse que não cabe ao presidente escolher os integrantes do Congresso. Ele afirmou que sua obrigação será dialogar com deputados e senadores eleitos e buscar apoio às propostas do governo.

O chefe do Executivo defendeu o respeito à Constituição e afirmou que o mandato deve alcançar brasileiros que votaram nele e os que apoiaram seu adversário. Com isso, sinalizou disposição para negociações institucionais, sem anunciar acordos partidários específicos no pronunciamento.

Ninguém é obrigado a gostar do presidente, mas ele foi eleito para governar para todos.”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

O presidente observou que a configuração do Legislativo é resultado das urnas. A governabilidade do próximo mandato dependerá da relação com as bancadas parlamentares, inclusive em temas que exigem aprovação de leis ou mudanças orçamentárias.

Plataformas digitais entram na mira

Lula voltou a defender regras para as grandes empresas de tecnologia. Em sua avaliação, as plataformas exerceram influência indevida sobre o debate eleitoral, acusação apresentada por ele no discurso, sem que isso corresponda, por si só, a uma constatação judicial de irregularidade por parte de empresas específicas.

O presidente afirmou que delitos praticados em ambientes digitais devem receber tratamento compatível com os crimes cometidos fora da internet. Também criticou o porte econômico das companhias e a tributação que, segundo ele, recai sobre suas operações no Brasil.

Uma eventual mudança na regulação exigirá definição de propostas normativas e tramitação pelas instâncias competentes. O discurso não estabeleceu texto de projeto, calendário legislativo nem obrigações imediatamente aplicáveis às plataformas.

Saúde e educação entre prioridades

Em relação às políticas públicas, Lula prometeu ampliar o cuidado com a população idosa e mencionou iniciativas voltadas a mulheres e jovens. O presidente também defendeu investimentos no Sistema Único de Saúde, especialmente no atendimento a pacientes com câncer.

Na educação, disse querer ampliar o ensino em tempo integral e criar uma modalidade universitária do programa Pé-de-Meia, atualmente associada a políticas de permanência estudantil. As declarações representam compromissos políticos, que dependem de desenho administrativo, previsão orçamentária e, conforme a medida, aprovação legislativa.

Lula abordou ainda a formação em matemática e engenharia e defendeu maior capacidade tecnológica nacional. Entre os objetivos citados está desenvolver inteligência artificial brasileira, com menor dependência de soluções produzidas em outros países.

O próximo mandato presidencial terá início em 1º de janeiro de 2027 e terminará em 31 de dezembro de 2030. Até a posse, Lula disse que pretende manter conversas com representantes de setores sociais e produtivos sobre os rumos de sua próxima administração.

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