O último debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), provocou uma sequência de memes nas redes sociais. Os pedidos do presidente para que eleitores pesquisassem informações no Google fizeram a plataforma ser chamada de “Gugo” ou “Gugu” nas piadas compartilhadas durante o confronto.
Lula recorreu ao buscador para convidar o público a conferir afirmações sobre seu governo e sobre o adversário. Flávio respondeu ironizando a frequência das referências à ferramenta e questionou se o presidente sabia responder às perguntas sem recorrer às pesquisas na internet.
Gugo vira palavra da noite
A troca foi reproduzida em trechos curtos e comentários bem-humorados. O apelido não diz respeito a outro serviço digital, mas a uma adaptação humorística da pronúncia de Google, usada por internautas para identificar uma das marcas mais repetidas da noite.
O debate foi transmitido na reta final do segundo turno e teve discussões sobre economia, segurança, infraestrutura e passagens das trajetórias dos candidatos. Nem toda postagem que viralizou descrevia fielmente uma fala: algumas foram montagens ou interpretações partidárias.
Richarlison entra na discussão
O jogador Richarlison, atacante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2022, foi mencionado por Lula durante uma pergunta sobre uma disputa relacionada a direitos de ocupação de um imóvel em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O atleta também é conhecido na internet pelo apelido de “pai do bebê”, e a expressão voltou a circular.
O nome nasceu de brincadeiras feitas por familiares da esposa do jogador, Amanda Araújo, em publicações sobre o filho do casal. Vídeos em que a família se referia à criança apenas como “bebê” levaram seguidores a usar novos apelidos para os parentes, incluindo “tio do bebê” e “pai do bebê”.
A disputa imobiliária citada por Lula tramita na Justiça e envolve versões divergentes. Richarlison afirma ter adquirido direitos com um sócio; o advogado Willer Tomaz sustenta que a aquisição por sua parte foi legal. Flávio nega envolvimento direto na transação e diz participar apenas como testemunha.
Placar de mentiras circula
As militâncias digitais de ambos os lados divulgaram supostos placares de mentiras atribuídas aos candidatos. As contagens não constituem uma apuração oficial comum: foram produzidas e compartilhadas por perfis com interpretações distintas, inclusive o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Houve também reações à negativa de Flávio de que Jair Bolsonaro tivesse debochado de pessoas com dificuldades respiratórias durante a pandemia de covid-19. Internautas recuperaram vídeos antigos para contestar o argumento, ampliando o alcance de um tema sensível do confronto.
Uma fala de Flávio sobre ser o “carioca mais nordestino” virou objeto de piadas. A formulação se espalhou ao lado de imagens do mapa de infraestrutura mostrado durante o programa e de comemorações dos ataques verbais como se fossem gols de uma partida de futebol.
Críticas ultrapassam as piadas
A frase de Flávio sobre Lula dar com uma mão e tirar com os nove dedos, em referência à deficiência do presidente, provocou críticas e também publicações favoráveis à provocação. Parte dos memes divulgados trouxe elementos de capacitismo, além de ataques etaristas ao petista de 80 anos.
Outras brincadeiras se concentraram no próprio formato do debate, nas falhas relatadas por usuários do Globoplay, em referências a argentinos e em menções ao Flamengo. Os vídeos gerados por inteligência artificial também continuaram circulando, misturados a gravações reais do programa.
Quem procura checar uma frase ou um trecho deve distinguir material efetivamente transmitido pela emissora de sátiras, montagens e vídeos sintéticos. Há transcrição do confronto divulgada na imprensa, além de verificações factuais específicas sobre declarações dos dois candidatos. O segundo turno presidencial está marcado para domingo, 25 de outubro.
