A investigação sobre a queda do helicóptero que vitimou o cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas avança com a realização de novas análises técnicas em Santa Catarina. A Polícia Civil do estado solicitou formalmente à Polícia Científica a perícia de aparelhos celulares e de uma câmera fotográfica e de vídeo que foram resgatados entre os escombros da aeronave, na região serrana de Urubici.
O objetivo central da diligência é extrair dados que possam esclarecer a dinâmica do voo e o que aconteceu nos minutos que antecederam o impacto. Os investigadores buscam registros visuais, mensagens, arquivos de áudio ou dados de geolocalização que ajudem a desenhar o panorama exato das últimas horas a bordo do veículo de transporte aéreo.
Enquanto a Polícia Civil conduz o inquérito focado em apurar possíveis responsabilidades criminais e circunstâncias jurídicas, o caso também é acompanhado por frentes especializadas da aviação civil. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos atua em paralelo com o Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, em uma apuração voltada exclusivamente para a prevenção de novas ocorrências semelhantes, sem atribuição de culpa na esfera penal.
Polícia Científica pericia aparelhos
A etapa pericial comandada pela Polícia Científica catarinense concentra esforços na recuperação de informações que possam ter resistido à força da colisão. Técnicos especializados utilizam procedimentos avançados de extração de dados para acessar a memória interna dos celulares e da câmera encontrados no local do impacto.
Os investigadores esperam que eventuais gravações de vídeo ou registros fotográficos feitos durante o trajeto ofereçam pistas sobre as condições meteorológicas enfrentadas pela tripulação ou sobre possíveis falhas operacionais. No entanto, o sucesso da recuperação depende do nível de integridade dos componentes eletrônicos após a queda na área de difícil acesso.
A aeronave envolvida no acidente, que ostentava a matrícula PP-MGR, havia decolado na tarde do dia 21 de setembro da cidade litorânea de Porto Belo. O destino final da viagem era o município serrano de São Joaquim, mas o trajeto foi interrompido tragicamente na região de Urubici, onde os destroços acabaram localizados na manhã seguinte.
Investigação criminal e prevenção
A condução do caso em Santa Catarina divide-se em duas frentes com propósitos distintos e complementares. A investigação policial busca determinar se houve conduta humana, dolosa ou culposa, que pudesse ter contribuído para o desfecho fatal, mantendo o inquérito aberto até a consolidação de todas as provas materiais.
Por outro lado, os órgãos aeronáuticos seguem um protocolo estritamente voltado à segurança dos voos. As informações obtidas pelos técnicos do setor aéreo não são utilizadas em processos criminais, servindo exclusivamente para alimentar manuais de segurança e evitar que falhas estruturais ou operacionais se repitam no transporte aéreo nacional.
Até o momento, as autoridades policiais reforçam que ainda não há elementos conclusivos suficientes para determinar com precisão o fator primordial que provocou a queda do helicóptero na localidade de Santa Bárbara, tornando o resultado da perícia digital fundamental para o desfecho do inquérito.
Tragédia com cinco vítimas
O acidente aéreo gerou forte comoção no cenário artístico brasileiro por envolver o cantor Rick, conhecido nacionalmente por sua trajetória na música sertaneja ao lado do parceiro Renner. O artista estava entre os ocupantes da aeronave no momento da tragédia na serra catarinense.
Além do músico, o voo transportava outras quatro pessoas cujas mortes foram confirmadas logo após a localização dos destroços. Estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antonio Roberto Nóbrega Araújo e o copiloto Leopoldo Barros, todos com trajetórias ligadas aos âmbitos profissional e de apoio da viagem.
A localização dos corpos e da fuselagem exigiu esforço concentrado de equipes de resgate devido às características geográficas do terreno, marcado por vegetação densa e relevo acidentado na localidade de Santa Bárbara, o que dificultou o acesso inicial das autoridades ao ponto exato do impacto.
Peritos concluem laudos técnicos
Com a conclusão dos laudos técnicos previstos para as próximas semanas, a Polícia Civil pretende confrontar os dados extraídos dos eletrônicos com os depoimentos já colhidos e com os relatórios preliminares elaborados pelos peritos de local de crime e engenharia aeronáutica.
O avanço das investigações deve permitir que a corporação estabeleça uma cronologia mais confiável sobre o voo desde a decolagem em Porto Belo até o momento em que o contato com a aeronave foi perdido na região serrana de Santa Catarina.
As autoridades continuam a resguardar o sigilo de determinados procedimentos para garantir a eficácia da análise pericial, prometendo divulgar novos desdobramentos assim que os laudos oficiais da Polícia Científica forem formalmente integrados aos autos do inquérito policial.


