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Um grupo de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) exibiu um míssil inflável com uma mensagem pedindo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que realizasse um ataque nuclear contra o Brasil. O objeto apareceu durante manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (18), a uma semana do segundo turno presidencial.

A inscrição em inglês dizia “Trump nuke Brazil”, expressão traduzida como “Trump, bombardeie o Brasil com arma nuclear”. Os registros mostram manifestantes vestidos de verde e amarelo tentando sustentar o inflável em meio ao ato. A mensagem expressava a posição de seus portadores e não pode ser atribuída automaticamente a todos os participantes ou à direção da campanha.

Pedido aparece em inflável

O artefato era uma peça cenográfica inflável, não um armamento verdadeiro. A inscrição, contudo, tinha conteúdo explícito: pedia a intervenção nuclear de uma potência estrangeira no próprio território brasileiro.

Imagens divulgadas da manifestação mostram que o objeto foi carregado por um grupo específico. Não há base para afirmar que todos os presentes endossaram a mensagem, tampouco que a iniciativa tenha sido anunciada oficialmente pelos organizadores do ato.

Um ataque nuclear tem consequências potencialmente catastróficas para populações civis e para o ambiente. No episódio da Paulista, o fato noticiado é a exibição do pedido escrito em um inflável, não a existência de planejamento militar dos Estados Unidos para atacar o Brasil.

O texto em inglês foi dirigido diretamente a Donald Trump, presidente norte-americano. A escolha do destinatário reforça a presença de referências aos Estados Unidos em determinados segmentos de manifestações bolsonaristas, mas não comprova participação do governo americano na ação.

Flávio participa do ato

A manifestação ocorreu na principal avenida da capital paulista, com a presença do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e de aliados políticos. O senador discursou para mobilizar eleitores antes do debate que realizaria com Lula à noite.

Em sua fala pública, Flávio atacou o governo federal e afirmou que o país estava sem presidente, em referência ao seu adversário. Também declarou desejar receber a faixa presidencial das mãos do pai, Jair Bolsonaro, caso fosse eleito.

Uma estimativa divulgada por pesquisadores do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap em parceria com a More in Common apontou aproximadamente 71,9 mil pessoas na manifestação. Trata-se de cálculo de público e não de contagem individual de apoiadores da mensagem exibida no míssil.

Pedido provoca críticas

A mensagem sobre um ataque nuclear provocou críticas pela gravidade do pedido e pela referência a uma ofensiva estrangeira contra o Brasil. A presença do inflável ganhou circulação em fotografias e vídeos publicados nas redes sociais.

O episódio também alimentou questionamentos sobre os limites das manifestações políticas e sobre a responsabilidade de lideranças diante de atos protagonizados por grupos de seguidores. O conteúdo, porém, deve ser atribuído a quem o exibiu, sem transformar a conduta de uma parcela dos presentes em posição uniforme.

Durante a campanha, Flávio já havia feito comentários sobre operações dos Estados Unidos contra o tráfico de drogas, tema que abriu discussões a respeito de soberania nacional. Essa controvérsia é distinta do pedido de uso de armas nucleares escrito no inflável.

Campanha entra na reta final

O ato foi realizado no mesmo dia do primeiro confronto televisivo de segundo turno entre Lula e Flávio. No debate, os adversários discutiram segurança pública, corrupção, economia e relações internacionais, entre acusações recíprocas.

As referências a Trump e aos Estados Unidos se tornaram um tema sensível da disputa, especialmente porque os candidatos defendem orientações diferentes para a política externa brasileira. Isso não significa que o governo norte-americano tenha endossado a mensagem vista na avenida.

Uma democracia admite manifestações e críticas ao governo, mas reivindicar o bombardeio nuclear do próprio país é uma declaração de natureza muito diferente de uma reivindicação convencional de política pública. No ato de domingo, a reivindicação foi registrada em um objeto levado por manifestantes.

A eleição presidencial terá seu segundo turno em 25 de outubro. A manifestação reuniu milhares de pessoas, enquanto o inflável com a inscrição em inglês foi uma ação de um grupo identificado nas imagens, sem demonstração de adesão generalizada dos demais participantes.

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