A entrevista de Flávio Bolsonaro (PL) na televisão, na noite de sexta-feira (16), foi acompanhada por panelaços em diferentes cidades brasileiras. Moradores bateram panelas em janelas e sacadas enquanto o candidato à Presidência participava de uma sabatina conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. As manifestações começaram por volta das 21h e foram registradas em bairros de capitais de diferentes regiões do país.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram o barulho de utensílios domésticos e manifestações contrárias ao senador. Os registros identificados por moradores e veículos de imprensa incluem pontos de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de outras capitais. Os vídeos documentam episódios localizados, mas não permitem determinar quantas pessoas participaram no conjunto das manifestações.
Barulho se espalha por capitais
Em São Paulo, houve relatos de panelaços em Perdizes, Pinheiros, Barra Funda, Vila Mariana, Butantã e Aclimação, entre outros bairros. No Rio de Janeiro, moradores registraram protestos em Botafogo, Tijuca, Flamengo, Laranjeiras e Santa Teresa. Também circularam registros atribuídos a Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Goiânia, Porto Alegre e Salvador.
A manifestação ocorreu no mesmo horário em que Flávio respondia a perguntas sobre suas propostas e sobre controvérsias envolvendo pessoas de seu entorno político. O formato, com moradores produzindo ruídos de dentro de apartamentos e casas, é conhecido no país por ter sido usado em protestos contra diferentes governos. A existência de registros em várias localidades não significa que tenha havido atos organizados em todos os bairros de cada cidade citada.
Janones incentivou a mobilização
O deputado federal André Janones (Rede-MG), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incentivou a manifestação por suas redes sociais e por um canal de mensagens ligado a apoiadores do presidente. Lula e Flávio disputam o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. A convocação foi divulgada antes da entrevista.
Ao mobilizar os participantes, o parlamentar orientou que moradores usassem utensílios domésticos para expressar insatisfação com o candidato. A declaração é atribuída diretamente a Janones e não representa uma fala de organizadores de todos os protestos registrados pelo país.
É para bater a colher na panela sem dó.”
André Janones, deputado federal
O caráter descentralizado dos panelaços dificulta a contagem de participantes. Em muitos casos, os registros mostram apenas uma fachada de edifício ou o interior de um apartamento, com sons provenientes de imóveis vizinhos. Por isso, as imagens servem para documentar a ocorrência do protesto, não para medir sua dimensão nacional.
Porteiro foi detido em Maceió
Em Maceió, um dos episódios teve desdobramento policial. Um porteiro identificado como Edmilson foi detido no bairro de Ponta Verde após participar de um panelaço durante o expediente. Segundo a defesa, policiais haviam sido chamados depois de um desentendimento entre pessoas de imóveis próximos e aguardaram a abertura do portão do condomínio.
O advogado relatou que o trabalhador demorou a atender porque estava afastado da guarita. Houve inicialmente referência a desacato e, no registro da ocorrência, a suposta perturbação do sossego. O porteiro foi levado à Central de Flagrantes e liberado depois de prestar esclarecimentos. A defesa contestou a legalidade da abordagem e apontou possível violação à liberdade de manifestação.
As versões sobre a atuação policial ainda exigem cautela: a contestação apresentada pelos advogados não equivale a uma decisão judicial sobre a conduta dos agentes, e o registro da ocorrência tampouco representa condenação do trabalhador. Até as informações disponíveis nesta apuração, não havia pronunciamento oficial conclusivo da Polícia Militar sobre as críticas à abordagem.
Sabatina abordou financiamento de filme
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também foi questionado sobre Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master, e sobre recursos para o filme Dark Horse, relacionado à trajetória política de Jair Bolsonaro. A entrevistadora abordou informações sobre um pedido de R$ 134 milhões e sobre valores que teriam sido repassados ao projeto. O senador sustentou que os recursos eram privados e lícitos; a afirmação é sua versão sobre a origem do dinheiro, não uma conclusão independente desta reportagem.
Flávio também comparou o financiamento do filme com contratos comerciais de publicidade firmados pelo banco. A entrevistadora questionou a equivalência dessa comparação, já que os tipos de operação e suas finalidades não são necessariamente os mesmos. O assunto ganhou espaço na sabatina em meio à cobrança por esclarecimentos sobre a origem e a destinação dos recursos.
A entrevista integrou a programação voltada ao segundo turno. Os panelaços foram uma manifestação de oposição ao candidato durante a transmissão, sem alterar o calendário eleitoral ou indicar, por si só, tendência de voto. O debate entre Lula e Flávio está previsto para domingo (18), enquanto a votação decisiva está marcada para o domingo seguinte, dia 25.
