Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir uma campanha reforçada de avisos aos eleitores que tiveram o endereço de votação modificado para o segundo turno de 25 de outubro. O requerimento apresentado no sábado (17) solicita notificações individuais, divulgação em rádio e televisão, orientação presencial e articulação para transporte gratuito em comunidades afetadas.

A preocupação envolve 4.352 seções eleitorais que passaram a funcionar em outros endereços, segundo números divulgados pela Justiça Eleitoral. Elas representam 0,87% do total nacional. Embora a proporção seja pequena, cada seção reúne um grupo de eleitores, o que faz o número de pessoas potencialmente atingidas ser muito maior que o de seções transferidas.

A coligação argumenta que publicar avisos em sites e redes sociais não basta para alcançar quem usa menos a internet ou desconhece as mudanças. O pedido não constitui uma decisão do TSE: as providências adicionais ainda dependem de análise e eventual implementação pelas autoridades competentes.

Coligação pede avisos individuais

Entre as medidas solicitadas estão notificações por e-Título, SMS, WhatsApp e e-mail, além de cartazes nos prédios utilizados no primeiro turno. A proposta inclui equipes de orientação nos antigos locais em 25 de outubro para encaminhar eleitores que compareçam ao endereço desatualizado.

O requerimento pede também que a Justiça Eleitoral coordene com prefeituras a oferta de deslocamento gratuito para as comunidades atingidas, com atenção a idosos, pessoas com deficiência e eleitores com mobilidade reduzida. Trata-se de solicitação da coligação, não de uma nova regra de transporte já aprovada para todo o país.

Como precedente prático, os autores mencionam iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais: antes do primeiro turno, o órgão enviou mensagens pelo WhatsApp a 81.511 eleitores sobre alterações de endereço. O exemplo foi apresentado como evidência de que a comunicação individual é tecnicamente possível.

A representação cita ainda a abstenção no primeiro turno como motivo para ampliar o alcance dos avisos. No entanto, não há evidência de que as alterações de seção tenham causado, por si mesmas, a ausência de milhões de eleitores; a relação entre logística e participação exige dados específicos.

São Paulo concentra transferências

Os estados com mais seções transferidas são São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Somados, eles representam 2.239 das 4.352 alterações nacionais, cerca de 51,4% do total. Essa concentração pode orientar campanhas de comunicação regionalizadas, embora a contagem isolada não indique quantas pessoas foram afetadas em cada local.

Entenda os principais dados
Unidade da federaçãoSeções transferidas
São Paulo982
Minas Gerais514
Rio de Janeiro431
Bahia312
Demais unidades2.113
Brasil4.352

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral

Uma seção não é sinônimo de prédio eleitoral. Uma escola pode abrigar várias mesas receptoras e urnas, de modo que a transferência de dezenas de seções pode envolver poucos imóveis, enquanto a mudança de um único prédio pode exigir deslocamento de um contingente elevado de pessoas.

Também é importante distinguir transferência de extinção. O TSE esclareceu que as alterações de endereço não significam diminuição do número de seções disponíveis para votar. A informação contraria mensagens que apresentam a medida como supressão de urnas sem comprovação.

Chuvas motivaram mudanças emergenciais

As transferências foram justificadas pela Justiça Eleitoral por reformas, adaptações de acessibilidade, problemas em instalações e danos climáticos. Em Confresa, no interior de Mato Grosso, tempestades ocorridas em 9 e 10 de outubro danificaram a cobertura de uma escola. Após laudo de engenharia de 11 de outubro recomendar interdição preventiva, o local de votação precisou ser transferido.

A decisão operacional sobre cada endereço cabe às zonas eleitorais, que avaliam as condições dos imóveis e buscam alternativas no município. Por isso, os motivos variam de acordo com a situação da infraestrutura e não podem ser atribuídos a uma única determinação política nacional.

O TSE informou que mantém uma Sala Nacional de Situação Climática com acompanhamento de órgãos meteorológicos, hidrológicos e de defesa civil. O objetivo é identificar eventos capazes de afetar locais de votação e rotas de transporte, inclusive na semana que antecede o segundo turno.

Consulta evita deslocamento errado

Para verificar onde votar, o eleitor pode abrir o aplicativo e-Título e escolher a opção “Onde votar”. Outra alternativa é acessar o Autoatendimento Eleitoral no portal oficial do TSE e consultar o endereço atualizado com seus dados de identificação. A conferência deve considerar o prédio, a zona e a seção, e não apenas o nome da escola onde ocorreu a votação anterior.

O TSE mantém uma área de estatísticas eleitorais com informações sobre seções alteradas no segundo turno, permitindo filtros por unidade da federação, município, zona e local. A recomendação oficial é consultar o endereço antes de sair de casa, mesmo para quem votou normalmente no primeiro turno.

A votação de 25 de outubro ocorrerá das 8h às 17h, no horário de Brasília. Além da eleição presidencial, haverá disputa para governador em unidades da federação com segundo turno estadual, o que exige atenção à situação específica de cada eleitor.

Quem já solicitou transferência temporária também deve verificar as informações exibidas nos canais oficiais. As mudanças cadastradas pelos cartórios eleitorais são refletidas no e-Título e no Autoatendimento Eleitoral, serviços que podem ser consultados gratuitamente antes do deslocamento.

WhatsAppFacebook