O papa Leão XIV recebeu alta hospitalar neste sábado (17), após passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno no pulmão direito. A equipe médica considerou que o pontífice, de 71 anos, apresentava condições clínicas para deixar o Hospital Agostino Gemelli, em Roma, e voltar ao Vaticano. A liberação ocorreu quatro dias depois do procedimento, realizado na terça-feira (13).
A decisão foi anunciada pela Santa Sé com base nos resultados de exames feitos na manhã de sábado. Segundo o comunicado médico, análises de sangue, uma radiografia do tórax e a avaliação da recuperação pós-operatória indicaram que não era necessário prolongar a internação naquele momento. O retorno ao Vaticano foi programado para o início da tarde, no horário local.
Exames permitiram a alta hospitalar
A avaliação foi assinada por Luigi Carbone, diretor da Direção de Saúde e Higiene do Estado da Cidade do Vaticano, e Stefano Margaritora, chefe da equipe de cirurgia torácica responsável pela operação. Os especialistas descreveram a evolução clínica como suficiente para a saída do hospital, sem apresentar, no anúncio, uma conclusão definitiva sobre as próximas etapas do acompanhamento oncológico.
Considerando os resultados dos exames de sangue e do controle radiológico do tórax realizados esta manhã, bem como a avaliação do quadro clínico, o Santo Padre foi considerado apto a receber alta hospitalar.”
Luigi Carbone e Stefano Margaritora, médicos responsáveis pelo comunicado
O boletim médico representa uma atualização sobre a recuperação imediata depois da intervenção cirúrgica. Receber alta, porém, não equivale a ter concluído o tratamento da doença. O acompanhamento posterior poderá depender de novos resultados e das avaliações realizadas pelos profissionais de saúde encarregados do caso.
Cirurgia retirou parte do pulmão
Leão XIV foi operado em 13 de outubro para a retirada do lobo inferior do pulmão direito. O procedimento foi realizado após a identificação de um adenocarcinoma pulmonar, tipo de câncer que se desenvolve em células glandulares do pulmão. A equipe recorreu a uma técnica cirúrgica videoassistida, conforme as informações divulgadas sobre a intervenção.
Embora a confirmação da doença tenha mobilizado atenção internacional, não foram divulgados dados suficientes para estabelecer o estágio do câncer ou antecipar quais tratamentos serão eventualmente necessários. As informações disponíveis permitem afirmar que o papa apresentou evolução favorável no período de internação, mas não autorizam conclusões sobre prognóstico de longo prazo.
Durante os dias no Gemelli, o pontífice permaneceu em contato com colaboradores do Vaticano e realizou atividades religiosas compatíveis com seu estado clínico. Entre elas esteve uma celebração de missa na capela do hospital, em um sinal de continuidade gradual da rotina enquanto permanecia sob observação.
Angelus está previsto para domingo
A Santa Sé informou que o papa pretende conduzir a oração do Angelus neste domingo (18), da janela do apartamento pontifício. Trata-se de uma das manifestações públicas mais conhecidas da agenda semanal do chefe da Igreja Católica, tradicionalmente acompanhada por fiéis reunidos no Vaticano e por pessoas que seguem a transmissão a distância.
A programação indica a expectativa de uma retomada cuidadosa das atividades públicas, mas não significa que todos os compromissos anteriores serão retomados imediatamente. Reuniões, viagens e celebrações mais extensas poderão ser avaliadas conforme as recomendações médicas e a recuperação nas próximas semanas.
A internação também não impediu Leão XIV de acompanhar assuntos internacionais. Durante o período, ele manteve contatos com integrantes da estrutura da Santa Sé e conversou por telefone com o presidente russo Vladimir Putin, em diálogo que abordou preocupações humanitárias relacionadas à guerra na Ucrânia.
Agenda futura depende da recuperação
O Vaticano vinha preparando uma viagem do pontífice à América do Sul, prevista para novembro, com compromissos no Uruguai, na Argentina e no Peru. A manutenção de cada etapa, entretanto, deve ser acompanhada pelas informações oficiais sobre sua condição de saúde e eventuais orientações da equipe médica.
Leão XIV assumiu a liderança da Igreja Católica em 2025 e passou a conciliar a agenda litúrgica com encontros diplomáticos e pronunciamentos sobre conflitos internacionais. A recuperação após uma cirurgia pulmonar exigirá acompanhamento clínico, mesmo após a decisão de liberar o paciente do hospital.
Por enquanto, o dado confirmado pela equipe assistente é a aptidão para a alta com base nos exames realizados no sábado. A divulgação de novos laudos e a eventual definição de tratamentos adicionais caberão aos profissionais responsáveis e às comunicações oficiais da Santa Sé, evitando interpretações antecipadas sobre a evolução da doença.
