O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, afirmou na noite de sexta-feira (16) que seu irmão Eduardo Bolsonaro não ocupará o Ministério das Relações Exteriores caso ele seja eleito no segundo turno. A declaração foi dada durante uma entrevista televisiva.
A resposta foi direta diante de uma pergunta sobre a possibilidade de Eduardo ser indicado para chefiar o Itamaraty. Flávio negou a nomeação e, em seguida, defendeu a atuação política do irmão, que vive nos Estados Unidos.
Flávio afasta Eduardo do Itamaraty
A afirmação tem peso no debate sobre a eventual composição de governo porque o nome de Eduardo havia circulado nos bastidores como possível candidato à chancelaria. Uma declaração de campanha, contudo, não equivale à formação antecipada de gabinete.
Flávio também ressaltou que a função de ministro das Relações Exteriores exige avaliação específica. A equipe diplomática de um possível governo ainda não foi formalmente anunciada.
Não, ele não vai ser chanceler.”
Flávio Bolsonaro
Candidato elogia atuação do irmão
Na entrevista, Flávio classificou o irmão como alguém que mantém interlocução com representantes conservadores de diferentes países. Segundo ele, essas relações foram desenvolvidas ao longo de mais de uma década de atividades políticas.
O candidato afirmou que as atividades de Eduardo no exterior teriam significado político para sua família. Essa caracterização representa uma opinião de Flávio e não altera a situação jurídica do ex-deputado perante as instituições brasileiras.
A defesa pública foi acompanhada de uma distinção entre fazer contatos internacionais e conduzir o serviço diplomático oficial. A chancelaria é responsável pela política externa do país e pela gestão de uma estrutura profissional de representação.
Bastidores registraram resistências ao nome
A hipótese de indicação de Eduardo vinha sendo discutida por integrantes de grupos ligados à campanha. Parte desses interlocutores manifestou preocupação com repercussões diplomáticas de uma eventual nomeação para o Itamaraty.
A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, apareceu em relatos de bastidores como alternativa considerada por aliados. Não havia, porém, nomeação anunciada ou decisão institucional sobre o futuro comando da pasta.
Os debates internos não devem ser confundidos com uma posição oficial do governo brasileiro. A eleição ainda não havia sido concluída quando Flávio deu a entrevista e o atual comando do Ministério das Relações Exteriores permanecia em exercício.
O Eduardo faz sim um trabalho brilhante.”
Flávio Bolsonaro
Eduardo enfrenta decisões da Justiça
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos e enfrenta consequências de decisão judicial brasileira no âmbito de processo relacionado à tentativa de interferência em investigações e julgamentos sobre a ruptura institucional de 2022.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal o condenou, em junho de 2025, à pena de quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, segundo as decisões judiciais descritas na cobertura do caso.
A condenação foi associada pelo tribunal a contatos com autoridades americanas para pressionar integrantes da Corte. Eduardo e seus aliados contestam politicamente essa interpretação e apresentam a atuação no exterior como manifestação legítima.
O senador, ao defender o irmão na entrevista, classificou Eduardo como perseguido político. Trata-se de uma alegação do candidato, não de uma conclusão independente sobre o processo.
A definição de quem ocuparia o Itamaraty dependeria de eventual vitória eleitoral e de uma escolha futura. O posicionamento de Flávio esclarece sua intenção declarada neste momento, sem constituir garantia sobre decisões posteriores.
