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O primeiro turno das eleições de 2026 registrou 21,08% de abstenção, acima dos 20,79% de 2022, segundo os dados divulgados pela Justiça Eleitoral. A alta nacional, porém, esconde trajetórias diferentes entre faixas etárias e níveis de escolaridade: jovens, pessoas com mais de 70 anos e eleitores com menor instrução faltaram menos do que quatro anos antes.

Entre os eleitores de 16 e 17 anos, a taxa de abstenção caiu 4,4 pontos percentuais. Na faixa de 70 anos ou mais, a redução chegou a 9,7 pontos percentuais, de acordo com o recorte divulgado a partir das bases do Tribunal Superior Eleitoral.

Abstenção geral sobe no primeiro turno

O contraste é relevante porque esses grupos estão sujeitos a regras específicas de voto facultativo. Jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e analfabetos podem votar, mas não são obrigados a comparecer, conforme a legislação eleitoral brasileira.

Em números absolutos, mais de 33 milhões de brasileiros não foram às urnas no primeiro turno. O crescimento da abstenção total não significa que todos os perfis de eleitores tenham apresentado o mesmo comportamento.

Comparecimento melhora nas faixas facultativas

O recuo mais expressivo identificado no levantamento ocorreu entre pessoas acima dos 70 anos. A mudança não pode ser automaticamente atribuída a uma campanha específica, pois as bases de comparecimento mostram o comportamento eleitoral, e não a motivação individual de cada eleitor.

Entre adolescentes de 16 e 17 anos, o registro de menos ausências indica participação relativamente maior desse segmento em comparação com a eleição presidencial anterior. Como o voto nessa faixa é facultativo, a inscrição eleitoral não produz necessariamente o mesmo padrão de comparecimento observado entre adultos obrigados a votar.

As diferenças entre grupos também exigem cautela na comparação por tamanho. A taxa de um segmento pode cair mesmo quando aumenta o número absoluto de pessoas daquele perfil, caso o cadastro de eleitores tenha crescido.

O eleitorado acima de 70 anos ganhou participação no cadastro nacional entre 2022 e 2026. Essa mudança de composição influencia o peso estatístico das ausências e torna importante observar taxas, não apenas quantidades.

Escolaridade revela outra mudança

Eleitores analfabetos e aqueles que não concluíram o ensino fundamental também apresentaram redução de abstenção. Apesar da melhora, a ausência nesses grupos ainda ficou acima da média nacional, conforme os dados examinados na reportagem.

Entre pessoas de maior escolaridade, a tendência foi distinta, com crescimento da taxa de faltas. Também houve aumento em grupos de adultos de 25 a 44 anos, embora não se possa traduzir a diferença diretamente em benefício para um candidato ou partido.

O levantamento mostra diferenças observadas depois da votação, e não um experimento sobre causas. Renda, mobilidade, problemas de saúde, localização do domicílio eleitoral e interesse pela eleição podem afetar o comparecimento, mas os números agregados não permitem determinar qual fator prevaleceu.

Segundo turno ainda depende de mobilização

O segundo turno presidencial está marcado para 25 de outubro. Eleitores que não compareceram no primeiro turno podem votar normalmente na segunda etapa, desde que estejam aptos na Justiça Eleitoral; a ausência anterior não bloqueia automaticamente o voto seguinte.

A participação efetiva no segundo turno só será conhecida após a votação. Intenção declarada em pesquisas de opinião e comportamento registrado no primeiro turno são medidas diferentes, que não devem ser apresentadas como resultado antecipado.

Campanhas partidárias acompanham os grupos de maior ou menor comparecimento porque a composição do eleitorado presente pode alterar a distribuição final dos votos. Isso não autoriza concluir, apenas a partir da escolaridade ou idade, qual candidato receberá o voto de cada pessoa.

O TSE mantém informações estatísticas sobre o eleitorado e a votação. A leitura por recortes demográficos complementa o dado geral de 21,08% e permite compreender melhor onde a participação cresceu ou diminuiu em 2026.

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