O dólar comercial subiu 1,17% nesta quinta-feira, 15 de outubro, e fechou perto de R$ 5,09, enquanto o Ibovespa recuou 1,06%, encerrando o pregão aos 204.324,26 pontos. O movimento ocorreu durante uma sessão marcada pelo noticiário eleitoral brasileiro, pelas discussões sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e por dados de inflação dos Estados Unidos.
A moeda americana encerrou a terceira sessão consecutiva de valorização, segundo cobertura financeira do dia. A combinação de fatores internos e internacionais contribuiu para a cautela de investidores, sem permitir atribuir toda a oscilação a um acontecimento isolado.
Dólar sobe e Ibovespa recua
No mercado acionário, houve pressão especialmente sobre papéis de construção e varejo. Já a Embraer figurou entre as altas do índice, evidenciando que as variações foram diferentes entre empresas e setores.
Os juros futuros também avançaram, acompanhando a percepção de risco dos agentes financeiros diante do ambiente político e das taxas de juros americanas.
Pesquisas eleitorais entram no radar
Investidores acompanharam levantamentos sobre o segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. O Datafolha apontou 47% e 45%, respectivamente, nas intenções de voto totais, uma diferença dentro da margem de erro.
A pesquisa foi realizada antes da divulgação completa dos efeitos políticos da aprovação da proposta sobre jornada de trabalho pelo Senado. Por isso, não é possível medir diretamente sua influência na intenção de voto a partir dessa rodada.
Movimentos cambiais observados no mesmo dia de uma pesquisa não demonstram, por si sós, uma relação única de causa e efeito. Notícias econômicas e decisões de alocação de capital acontecem simultaneamente nos mercados.
A reta final da disputa presidencial tende a concentrar atenção dos operadores, mas os efeitos concretos sobre os preços dependem das informações disponíveis e das expectativas de cada participante.
Escala de trabalho mobiliza investidores
O Senado aprovou na quarta-feira, 14 de outubro, proposta que prevê redução da jornada semanal e o fim da escala 6×1. A mudança precisa cumprir as etapas legislativas restantes para adquirir eficácia jurídica.
Empresas com grande número de trabalhadores acompanham o debate porque uma jornada menor pode alterar o planejamento de escalas, contratações e produtividade. Essas consequências dependem do desenho final da norma e de sua implementação.
O noticiário financeiro citou preocupações com aumento de despesas operacionais, em especial no comércio e em serviços intensivos em mão de obra. Também existem análises que apontam possibilidades de ganhos de qualidade de vida e reorganização produtiva.
Como o texto ainda depende de desdobramentos legais, não há base para calcular custos definitivos de todas as companhias ou pressupor uma reação uniforme do setor produtivo.
Inflação americana pressiona os juros
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor apresentou alta de 1,3% em setembro. O resultado reforçou a atenção sobre a trajetória de inflação e a possibilidade de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve.
Taxas americanas mais altas podem favorecer ativos denominados em dólar e elevar a competição por recursos internacionais. Esse mecanismo ajuda a explicar por que notícias dos EUA afetam também moedas e ações de mercados emergentes.
O avanço dos rendimentos dos títulos americanos influenciou a curva de juros brasileira, segundo análises divulgadas durante a sessão. O petróleo e a situação geopolítica também integraram o conjunto de preocupações dos operadores.
O resultado definitivo do Ibovespa foi de 204.324,26 pontos, enquanto diferentes provedores de câmbio registraram o fechamento próximo de R$ 5,09. A pequena diferença entre cotações arredondadas decorre dos critérios de apresentação dos dados.
