Os candidatos Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos filiados ao PL, foram matematicamente eleitos senadores por Santa Catarina nas eleições realizadas neste domingo. Com a apuração avançada pelo Tribunal Superior Eleitoral, a chapa bolsonarista garantiu as duas vagas em disputa no estado para o Senado Federal.
O resultado consolida a força eleitoral da direita no território catarinense, considerado um dos principais redutos do bolsonarismo no país. A campanha foi marcada por intensas movimentações políticas locais, mudanças em alianças partidárias e ampla repercussão nacional em torno da transferência de domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro.
TSE confirma apuração oficial
Com 98,18% das urnas apuradas pela Justiça Eleitoral, Carlos Bolsonaro obteve 25,35% dos votos válidos. Antes de disputar o cargo em Santa Catarina, ele exercia mandato como vereador no Rio de Janeiro, onde acumulou sete mandatos consecutivos na Câmara Municipal carioca ao longo de sua trajetória política.
A outra vaga em disputa ficou com a deputada federal Carol de Toni, que liderou a preferência do eleitorado catarinense ao alcançar 33,47% dos votos. Advogada e ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, ela consolidou sua liderança após articulações intensas dentro da legenda.
A chegada de Carlos Bolsonaro ao estado gerou debates acalorados durante a campanha, com adversários políticos o rotulando de paraquedista devido à sua forte ligação histórica e eleitoral com a capital fluminense. Em resposta às críticas, o candidato argumentou publicamente que escolheu o estado por identificar afinidade de valores com a população local.
Direita rompe aliança local
A entrada de Carlos Bolsonaro na disputa por Santa Catarina provocou divisões profundas nas articulações da direita catarinense. Inicialmente, o grupo político planejava uma composição que uniria Carol de Toni ao experiente senador Esperidião Amin, do PP, que tentava a reeleição para mais um mandato.
Com a decisão de lançar o filho do ex-presidente, o Partido Liberal optou por romper as negociações e descartar a aliança com o Progressistas. O revés político culminou na derrota de Esperidião Amin nas urnas, encerrando sua trajetória recente na representação catarinense no Senado após anos de forte influência na política regional.
Durante os meses antecedentes ao pleito, a própria situação de Carol de Toni chegou a passar por momentos de incerteza nas negociações internas do partido. Diante das mudanças na chapa, a deputada chegou a avaliar uma possível filiação ao Partido Novo antes de ter sua candidatura consolidada pelo PL.
Deputada consolida trajetória política
Carol de Toni iniciou sua militância política em 2016 pelo Movimento Brasil Livre, ganhando projeção nacional no período que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2018, elegeu-se deputada federal e aproximou-se do grupo político liderado por Jair Bolsonaro, sendo reeleita em 2022 com a maior votação da bancada catarinense.
Carlos Bolsonaro, por sua vez, concentrou sua estratégia de campanha na defesa do legado paterno e na divulgação de vídeos e recortes de discursos de Jair Bolsonaro em encontros com empresários locais. O candidato evitou debates públicos e sabatinas promovidas por veículos de imprensa ao longo do período eleitoral no estado.
O desempenho favorável da direita em Santa Catarina repete o cenário observado em pleitos anteriores. No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Jair Bolsonaro obteve quase 70% dos votos válidos no estado, transformando a região em um polo estratégico para o movimento conservador brasileiro.
Aliados criticam prisão domiciliar
A vitória da chapa ocorre em um momento de restrições judiciais enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar decorrente de condenações ligadas a investigações sobre articulações golpistas posteriores ao pleito de 2022. Durante a campanha catarinense, Carlos Bolsonaro criticou abertamente as decisões da Justiça e classificou a situação do pai como perseguição política.
A consolidação das duas cadeiras pelo PL em Santa Catarina evidencia a resiliência eleitoral do partido em redutos fora do eixo tradicional Sudeste, mesmo diante de dissidências partidárias locais. Os novos senadores assumem os mandatos em Brasília a partir do próximo ano legislativo, substituindo representantes que encerrarão seus ciclos na Casa.
A totalização definitiva dos votos e a proclamação oficial dos eleitos dependem da conclusão dos cem por cento da apuração oficial conduzida pelo Tribunal Superior Eleitoral, cujos índices finais devem ser confirmados nas próximas horas pelos órgãos competentes.


