Polícia Federal cria divisão exclusiva contra bets e fraudes

Plano enviado ao governo reorganiza a estrutura da corporação para focar em crimes financeiros e manipulação de jogos

Da
Redação
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Sede da Polícia Federal em Brasília, onde tramita o projeto de reestruturação para combater apostas ilegais.
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A Polícia Federal encaminhou ao governo federal um projeto de reestruturação para criar uma divisão dedicada exclusivamente ao combate a apostas ilegais e à manipulação de resultados esportivos no país. O planejamento estratégico foi formalizado pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e busca dotar o órgão de capacidade operacional mais robusta para enfrentar redes criminosas ligadas ao setor.

A iniciativa ocorre em um momento de reviravolta regulamentar, coincidindo com a decisão do Palácio do Planalto de banir a exploração das chamadas bets e cassinos online em território nacional. Com o endurecimento das regras e a proibição definitiva das plataformas, o Executivo federal identificou a necessidade urgente de blindar as instituições e ampliar o rigor na fiscalização para evitar que o avanço da ilegalidade enfraqueça a política adotada.

Estrutura contra crimes financeiros

O documento interno enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública detalha a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos. Essa nova estrutura organizacional pretende centralizar e dar maior prioridade estratégica às investigações financeiras complexas conduzidas pela corporação em âmbito nacional.

Dentro desse organograma, o projeto prevê a instalação de uma Coordenação de Inteligência Financeira e Lavagem de Dinheiro, que abrigará um serviço especializado na apuração do uso de criptomoedas e ativos virtuais por organizações criminosas. Dados recentes da própria corporação mostram o salto expressivo no volume de moedas digitais apreendidas em operações contra esquemas ilícitos nos últimos anos.

Além disso, o plano encaminhado para análise no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos estima um impacto financeiro mensal de R$ 44,9 mil para viabilizar a criação de 17 novas unidades administrativas, otimizando setores que antes possuíam status inferiores dentro da hierarquia policial.

Divisões de apostas e fraudes

Pela proposta em tramitação, o organograma policial passará a contar formalmente com a Divisão de Repressão a Apostas Ilegais e a Divisão de Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos. Embora operem com status menor que as coordenações gerais, esses braços especializados garantirão dedicação exclusiva dos investigadores aos ilícitos esportivos e financeiros decorrentes do mercado de apostas.

O reforço institucional responde a um histórico recente de investigações que já mobilizavam equipes de forma temporária. Em maio, por exemplo, a corporação havia instituído um grupo provisório com duração de um ano para mapear fraudes em partidas e redes clandestinas de palpites, atuação que agora ganha caráter permanente com a reestruturação.

A articulação também compreende uma Divisão de Doutrina e Capacitação, suporte administrativo e núcleos voltados à gestão estratégica, aproveitando estruturas preexistentes para maximizar os recursos humanos e materiais já disponíveis na instituição.

Fortalecer a capacidade institucional da Polícia Federal para o enfrentamento econômico ao crime organizado.”

Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal

Balanço de operações recentes

A ofensiva contra o setor clandestino é reflexo de um trabalho contínuo desenvolvido nos últimos anos. De acordo com balanço oficial divulgado recentemente, a Polícia Federal deflagrou doze operações específicas entre março de 2023 e agosto de 2026 para desarticular esquemas de apostas irregulares e manipulação de resultados em diversos estados brasileiros.

Nesse intervalo, as ações policiais resultaram na expedição de ao menos setenta e três mandados de busca e apreensão, além de quinze mandados de prisão preventiva. As diligências alcançaram investigados em unidades da federação como São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraíba e no Distrito Federal.

Como parte das medidas cautelares adotadas para descapitalizar as redes criminosas, a corporação solicitou à Justiça o sequestro de bilhões de reais em bens, direitos e valores associados às atividades ilegais investigadas ao longo do período.

Bloqueio de sites irregulares

Em paralelo à movimentação para reorganizar a estrutura interna da polícia judiciária, o Ministério da Justiça adotou medidas imediatas no plano operacional. A pasta informou ter solicitado o bloqueio de mais de cinco mil sites de apostas que continuaram operando de forma irregular após a assinatura da medida provisória pelo governo.

O volume expressivo de plataformas derrubadas evidencia o tamanho do mercado marginal que passou a atuar sem autorização legal no país. O governo avalia que a repressão rápida e o corte do acesso digital aos apostadores são fundamentais para conter a expansão dessas redes clandestinas enquanto a nova divisão policial não entra em plena atividade.

A corporação também mantém cooperação internacional por meio de instâncias como a Interpol, participando ativamente de forças-tarefa globais voltadas ao intercâmbio de inteligência e de metodologias de investigação contra a manipulação de competições esportivas.

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