Congresso analisará medida que proíbe bets e endurece regras

Texto enviado pelo governo federal estabelece prazos para encerramento de atividades e prevê tipificação penal para plataformas clandestinas.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
Ministério da Fazenda detalhou regras para o encerramento das atividades de apostas de quota fixa no país.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O governo federal editou uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa e cassinos online em todo o território nacional. A decisão, formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interrompe as atividades do setor e estabelece um cronograma rígido para o encerramento das operações das empresas legalizadas e o bloqueio de plataformas irregulares no país.

Durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo, o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, detalhou que os sites e aplicativos licenciados terão até as 23h59 do dia 5 de outubro para permitir que os usuários façam o resgate voluntário dos saldos remanescentes. A partir de zero hora do dia 6 de outubro, todas as páginas e aplicativos serão bloqueados, e o governo intensificará o rastreamento e o confisco de recursos de eventuais operadoras remanescentes.

Segundo o Ministério da Fazenda, o Brasil contava com 85 empresas detentoras de outorgas e cerca de 180 marcas legais antes da edição da norma. Com a extinção das autorizações por motivo de interesse público, o texto da medida provisória estabelece que as empresas não terão direito a indenizações por lucros cessantes ou investimentos realizados anteriormente no mercado brasileiro.

Prazos e devolução de valores

A partir da publicação da medida provisória, novos aportes financeiros em contas de apostas ficaram imediatamente vedados. O cronograma oficial estabelece que, entre os dias 6 e 7 de outubro, as empresas deverão obrigatoriamente informar às instituições financeiras o saldo individualizado por CPF para viabilizar a restituição aos apostadores.

O repasse dos valores aos usuários ocorrerá entre os dias 9 e 14 de outubro, por meio dos bancos responsáveis pelas contas. Caso ocorram dificuldades operacionais com alguma das plataformas, a Caixa Econômica Federal atuará como intermediária na devolução dos saldos aos apostadores cadastrados.

O governo destacou que a medida busca conter o endividamento das famílias e os impactos sociais associados à rápida popularização dos jogos online. A fiscalização será coordenada em conjunto com órgãos federais e contará com ferramentas tecnológicas para identificar movimentações financeiras suspeitas.

Atuação de órgãos federais

A força-tarefa de fiscalização envolve servidores dos ministérios da Fazenda e da Justiça, além da Receita Federal, da Polícia Federal e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Esse grupo integrado já vinha atuando com inteligência artificial para rastrear páginas clandestinas e banir endereços eletrônicos irregulares.

Desde 2024, mais de 60 mil páginas e aplicativos clandestinos foram banidos do ambiente digital brasileiro. Com a proibição total, a cooperação técnica será ampliada para impedir a atuação de redes criminosas que tentem burlar o bloqueio tecnológico imposto pelas autoridades.

Os recursos financeiros eventualmente apreendidos em operações contra plataformas ilegais serão revertidos para o financiamento de políticas públicas de segurança. Além disso, o Palácio do Planalto enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência para tipificar penalmente a exploração de apostas clandestinas.

Contexto e impactos sociais

A edição da norma ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026 e reflete a crescente preocupação do governo com os danos econômicos causados pelo vício em jogos. A regulamentação parcial implementada nos últimos anos não foi suficiente, segundo o Executivo, para conter o endividamento de famílias de baixa renda.

As apostas esportivas de quota fixa haviam sido inicialmente abertas pela legislação federal em 2018 e passaram por um processo de estruturação normativa a partir de 2024. No entanto, o avanço descontrolado de plataformas virtuais levou à revisão completa da política oficial para o setor.

O Ministério da Fazenda reforçou que a prioridade imediata é garantir a transparência no encerramento das atividades e a recuperação do dinheiro depositado pelos apostadores antes que os bloqueios definitivos entrem em vigor em todo o território nacional.

Parlamentares debatem novas regras

O texto da medida provisória já entrou em vigor, mas precisará ser analisado e votado pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para se converter em lei definitiva. Parlamentares de diferentes correntes políticas já sinalizaram debates intensos sobre o futuro da regulação econômica e as consequências para o mercado digital.

Paralelamente, o envio do projeto de lei com pedido de urgência pretende endurecer as punições criminais para operadores de sites clandestinos. O governo aposta na tipificação penal para desestimular tentativas de reabertura de plataformas sob novas marcas ou CNPJs fantasmas.

As operadoras afetadas estudam os impactos jurídicos da decisão, enquanto órgãos de defesa do consumidor orientam os apostadores a retirarem seus saldos dentro do prazo estipulado para evitar perdas financeiras decorrentes do confisco oficial.

WhatsAppFacebook
Share This Article