O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ergueram juntos uma imagem de Nossa Senhora Aparecida nesta segunda-feira (28), durante uma caminhada de campanha na região central da capital paulista. O gesto público ocorreu como resposta direta à disseminação de notícias falsas nas redes sociais que associavam o senador a um suposto plano de retirar o título de Padroeira do Brasil da santa caso seja eleito.
A polêmica ganhou força após o candidato afirmar em comício que a desinformação contaria com apoio de integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o que motivou uma nota oficial de repúdio da entidade religiosa. Diante da repercussão no cenário político e das disputas judiciais que chegaram aos tribunais superiores, os candidatos intensificaram a agenda pública para consolidar apoios e neutralizar os ataques virtuais na reta final da disputa eleitoral.
Agradecimento e nota oficial
Durante o evento em São Paulo, Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente à CNBB e afirmou que a manifestação da instituição ajuda a esclarecer os fatos em meio à turbulência digital. O candidato reforçou o respeito a todas as crenças religiosas e criticou a exploração de pautas falsas por adversários políticos.
A declaração ocorreu após a entidade católica publicar um comunicado oficial negando qualquer vínculo com candidaturas ou estruturas de produção de boatos. A instituição reforçou que sua missão é exclusivamente pastoral e voltada para princípios democráticos, rebatendo acusações sem provas que atingiriam injustamente o trabalho da igreja.
O senador também comentou decisões judiciais recentes sobre a liberação de publicações na internet, mantendo o tom de confronto contra adversários e reiterando que sua campanha preza pela liberdade religiosa e pelo respeito às tradições dos eleitores católicos.
Origem da desinformação
O boato que circulou amplamente nas plataformas digitais baseou-se na descontextualização de um vídeo gravado em agosto, no qual o candidato defendia que o Brasil pertence a Jesus Cristo ao justificar sua ausência em um debate televisivo. A narrativa falsa também resgatou um projeto de lei antigo, apresentado em 2007 e arquivado definitivamente pela Câmara dos Deputados em 2022, que tratava de feriados nacionais.
A proposta original mencionada nas fake news previa alterações em terminologias religiosas e feriados, sem qualquer ligação com a atual plataforma eleitoral do senador. Especialistas em comunicação apontam que o uso estratégico de símbolos tradicionais tem marcado a corrida presidencial, acirrando a polarização em torno de datas e figuras religiosas.
A campanha reforçou que os ataques buscam desgastar a imagem dos candidatos junto ao eleitorado religioso, exigindo respostas rápidas e demonstrações públicas de fé para conter o avanço da desinformação nas bases de apoio dos partidos envolvidos.
Ato político em São Paulo
A caminhada pelo centro da capital paulista reuniu importantes lideranças políticas e aliados estratégicos dos candidatos. Estiveram presentes no ato público o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), além de candidatos ao Senado e apoiadores que acompanharam a mobilização na área comercial.
A escolha do local teve como objetivo reforçar a presença da chapa no maior colégio eleitoral do país e garantir proximidade com o eleitorado urbano. A exibição da imagem religiosa funcionou como um símbolo de desagravo diante dos episódios recentes na internet.
As equipes de segurança e organização acompanharam todo o trajeto para assegurar a integridade dos políticos e a circulação de apoiadores, enquanto a militância distribuía material de campanha ao longo da rota programada para o dia.
Justiça monitora fake news
O Tribunal Superior Eleitoral segue monitorando a propagação de conteúdos falsos na internet e avaliando pedidos urgentes de remoção de postagens irregulares. A fiscalização busca conter o avanço de notícias inverídicas que possam comprometer a paridade de armas e o equilíbrio da disputa nas urnas.
Com a proximidade do pleito, as campanhas mantêm o foco em agendas presenciais e no uso de redes sociais oficiais para rebater narrativas contrárias. Os candidatos intensificam as viagens pelos principais centros urbanos do país para garantir visibilidade direta até o dia da votação.
As autoridades eleitorais reforçam que novas medidas repressivas contra fraudes digitais poderão ser adotadas caso os índices de desinformação voltem a crescer nas vésperas da eleição presidencial.


