O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou nesta segunda-feira (28) que está articulando para que o Republicanos apoie a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República em um eventual segundo turno. A movimentação ocorre em meio à estratégia de aliados do Palácio dos Bandeirantes para reverter a neutralidade oficial adotada pela legenda na eleição presidencial.
Durante agendas de campanha na capital paulista ao lado do próprio Flávio Bolsonaro e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o chefe do Executivo paulista afirmou que já mantém conversas avançadas sobre o tema com lideranças partidárias. Segundo o governador, o objetivo central é somar forças em uma eventual nova etapa da disputa nacional.
Governador dialoga com direção
Tarcísio confirmou publicamente que já tratou do assunto com o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira. O governador destacou que o esforço político nos bastidores é direcionado para consolidar o alinhamento da legenda com o candidato do PL caso a corrida eleitoral avance para o segundo turno.
Apesar da neutralidade formal estabelecida pela legenda, caciques estaduais e dirigentes têm buscado acomodar interesses regionais. A interlocução do governador paulista com a cúpula nacional busca justamente construir pontes e superar resistências internas acumuladas desde o início do calendário eleitoral.
A gente também tem conversado e a gente entende que existe um caminho para o Brasil que é muito melhor do que o caminho que está aí.”
Tarcísio de Freitas
Convenção definiu autonomia estadual
O Republicanos definiu oficialmente a neutralidade na eleição presidencial durante sua convenção nacional realizada em agosto. Na ocasião, o partido optou por garantir autonomia para que cada diretório estadual seguisse o caminho político que julgasse mais adequado para suas bases eleitorais.
Durante a votação interna na convenção, o cenário apontou divisões expressivas entre os dirigentes regionais. Dezessete diretórios defenderam formalmente a neutralidade na disputa presidencial, enquanto nove optaram por apoiar Flávio Bolsonaro e apenas um manifestou preferência pela candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão ocorreu apesar de uma articulação anterior do próprio Tarcísio para levar o Republicanos à coligação de Flávio. Antes do encontro nacional, o governador atuou junto à direção da sigla, mas a maioria dos diretórios optou pela independência na corrida ao Palácio do Planalto.
Posição de Marcos Pereira
O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, adotou uma postura de conciliação entre a decisão institucional e a preferência política individual. Embora tenha chancelado a neutralidade institucional da legenda, Pereira declarou apoio pessoal a Flávio Bolsonaro e afirmou publicamente que faria campanha para o candidato do PL.
Essa duplicidade permitiu que figuras influentes do partido, como o próprio Tarcísio de Freitas, mantivessem articulações ativas em prol da candidatura presidencial do PL. A atuação conjunta na capital paulista reforça a proximidade dos diretórios locais com o projeto político liderado por Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Já tenho conversado. Todo o nosso esforço vai ser no sentido de que a gente fique com o Flávio Bolsonaro.”
Tarcísio de Freitas
Alinhamento em São Paulo
A aliança político-eleitoral em solo paulista tem se intensificado com a participação conjunta de Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes em atos de campanha. O governador tem utilizado sua capilaridade política no estado para impulsionar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro entre prefeitos e lideranças regionais.
A expectativa dos articuladores políticos é que a pressão exercida por diretórios simpáticos ao projeto do PL no Sudeste ganhe força caso a disputa presidencial se estenda para o segundo turno, pavimentando o caminho para a adesão formal que Tarcísio tenta viabilizar junto à cúpula do partido.
As conversas continuam nos bastidores políticos enquanto os candidatos intensificam a agenda de compromissos públicos nas principais capitais do país. O posicionamento oficial definitivo do partido sobre o segundo turno dependerá dos desdobramentos da votação nacional.


