Moscou exige fim de embargo dos EUA a Cuba na ONU e Pequim apoia

Chanceler Sergei Lavrov e China criticam restrições comerciais, enquanto Casa Branca aposta em futuro acordo bilateral

Da
Redação
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Representantes de diversos países debatem temas geopolíticos globais durante sessões na Assembleia Geral da ONU.Reuters
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, exigiu neste sábado (26) o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o chanceler russo cobrou que Washington suspenda as restrições comerciais contra a ilha caribenha e retire o país da lista de nações que apoiam o terrorismo.

A manifestação diplomática ocorre em um momento de acirrada pressão internacional sobre Havana. A campanha de sanções imposta pelos Estados Unidos tem bloqueado o envio de petróleo para o território cubano, o que provocou apagões devastadores e agravou severamente a crise humanitária e econômica na ilha.

Lavrov cobra fim do embargo

Em seu pronunciamento oficial no plenário da ONU, o chefe da diplomacia russa destacou que as medidas unilaterais violam princípios do direito internacional. Lavrov argumentou que a manutenção do bloqueio sufoca a economia cubana e prejudica diretamente a população civil, que sofre com a escassez crônica de combustíveis, energia e produtos básicos.

A exigência russa encontrou eco em Pequim, que também utilizou a tribuna da Assembleia Geral para criticar a postura norte-americana. O vice-presidente da China, Han Zheng, instou o país em questão a cessar as ameaças contra Cuba e suspender imediatamente o embargo comercial, embora não tenha citado nominalmente os Estados Unidos.

O representante chinês ressaltou que as grandes potências devem dar o exemplo no respeito às normas globais e à soberania de outras nações. A crítica diplomática asiática contrastou com o recente clima de cordialidade exibido na Casa Branca durante a visita oficial do líder chinês Xi Jinping.

Trump descarta intervenção militar

Em resposta à pressão internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em Washington que acredita na possibilidade de um entendimento pacífico com Havana. Durante coletiva de imprensa na Casa Branca, o mandatário americano afirmou que prevê a celebração de um acordo bilateral futuro.

“Eu diria que Cuba e nós chegaremos a um acordo. Não acho que vamos precisar do exército”, afirmou Trump a jornalistas. A declaração buscou amenizar os temores de um conflito armado na região, após falas divergentes de integrantes da própria administração americana nos dias anteriores.

Eu diria que Cuba e nós chegaremos a um acordo. Não acho que vamos precisar do exército.”

Donald Trump

No início da semana, a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, havia evitado descartar uma operação militar no território cubano. Em entrevista exclusiva, ela destacou que o governo dispõe de múltiplas ferramentas estratégicas para assegurar os interesses norte-americanos e promover mudanças políticas no país caribenho.

Crise energética e sanções

A pressão econômica exercida por Washington tem como alvo principal o setor energético de Cuba, dificultando severamente a importação de combustíveis essenciais para o funcionamento de termoelétricas. Como resultado direto dessa restrição, a ilha tem enfrentado falhas generalizadas no fornecimento de eletricidade e apagões prolongados.

A situação interna em Cuba deteriorou-se consideravelmente ao longo dos últimos meses, gerando forte preocupação na comunidade internacional sobre o impacto humanitário das sanções. Enquanto aliados tradicionais de Havana cobram o fim imediato do bloqueio nas instâncias multilaterais, Washington mantém sua estratégia de estrangulamento econômico.

Organizações humanitárias e governos de diferentes regiões alertam para o risco de um colapso total nos serviços públicos essenciais da ilha. O debate na ONU evidenciou a profunda divisão entre as potências globais sobre o futuro político e econômico de Cuba no cenário internacional.

China critica posturas globais

Além da questão cubana, o discurso do vice-presidente chinês Han Zheng na Assembleia Geral abordou tensões geopolíticas em outras regiões sensíveis, como o Oriente Médio. Pequim defendeu expressamente que a soberania e a segurança dos países do Golfo e do Oriente Médio sejam rigorosamente respeitadas pela comunidade internacional.

As posições adotadas por Pequim e Moscou na ONU demonstram uma articulação coordenada para contrapor a hegemonia e as diretrizes de política externa impostas pelos Estados Unidos. Analistas apontam que o fórum internacional serviu de palco para o endurecimento de blocos diplomáticos rivais.

Os Estados Unidos deveriam retirar Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo e suspender imediatamente o bloqueio comercial.”

Sergei Lavrov

A dinâmica institucional da Assembleia Geral da ONU continua a refletir o reequilíbrio de forças e as divergências sobre conflitos regionais, sanções unilaterais e o cumprimento de tratados globais de segurança e comércio exterior.

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