O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rebateu nesta quarta-feira (23) as declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O mandatário cubano classificou os comentários de Washington como arrogantes, prepotentes e intervencionistas, intensificando o embate diplomático entre os dois governos no cenário internacional.
A reação do líder cubano ocorre logo após Trump afirmar no plenário da ONU que Cuba seria um Estado falido e que a liberdade chegaria ao território cubano em breve. As declarações geraram repercussão imediata e mobilizaram a diplomacia da ilha durante as discussões oficiais em Nova York.
Em sua resposta oficial na tribuna, Díaz-Canel sustentou que a soberania do país foi conquistada em 1º de janeiro de 1959 com a Revolução Cubana e afirmou categoricamente que a população local não abrirá mão dessa conquista histórica diante das pressões externas.
Presidente cubano rejeita rótulos e critica postura dos Estados Unidos
Durante o pronunciamento, o presidente cubano rejeitou de maneira enfática os rótulos atribuídos pela administração norte-americana à ilha e reforçou a narrativa de resistência do regime. Para o chefe de Estado, as palavras do líder americano evidenciam uma tentativa contínua de desestabilizar o governo e ignoram os impactos gerados pelas sanções econômicas históricas.
Ontem, as declarações do presidente dos Estados Unidos foram absolutamente arrogantes, prepotentes e intervencionistas”
Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba
O mandatário também pontuou que o discurso norte-americano reflete uma postura de desprezo em relação aos povos da América Latina e do Caribe. A avaliação oficial aponta que a retórica adotada por Washington busca justificar medidas de cerco financeiro e político contra nações soberanas da região.
A delegação de Cuba acompanhou de perto as discussões e manteve uma postura de confronto verbal direto contra as críticas recebidas no plenário, evidenciando o distanciamento persistente entre as agendas geopolíticas de Havana e da Casa Blanca.
Apagões e escassez de combustível são atribuídos ao embargo econômico
Além da troca de farpas políticas, o discurso abordou a grave crise econômica e energética enfrentada pelos cidadãos cubanos no cotidiano. O governo de Cuba atribuiu diretamente aos Estados Unidos a responsabilidade pela escassez severa de combustível que tem provocado apagões generalizados em várias províncias do país caribenho.
A administração local argumenta que o endurecimento das restrições comerciais dificulta a importação de insumos essenciais para a manutenção das termoelétricas e para o abastecimento básico da população. Essa situação tem intensificado a pressão social e econômica sobre o território insular nos últimos meses.
A liberdade chegou a Cuba em 1º de janeiro de 1959, com aquela Revolução, e não vamos perder essa liberdade”
Miguel Díaz-Canel
As autoridades cubanas reiteram que a superação desses desafios passa necessariamente pelo fim das sanções unilaterais impostas por Washington, que estrangulam as principais fontes de receita e o fluxo de suprimentos vitais para a economia nacional.
Defesa da revolução histórica marca o pronunciamento oficial
No centro da manifestação de Díaz-Canel esteve a exaltação ao legado político da Revolução Cubana de 1959, utilizada pelo governo como símbolo máximo de resistência e identidade nacional. O mandatário vinculou a sobrevivência do modelo político atual à recusa histórica em aceitar interferências de potências estrangeiras.
A retórica adotada buscou mobilizar o apoio interno e externo em torno dos ideais revolucionários, contrapondo-se às previsões de transição política mencionadas por autoridades norte-americanas durante o conclave da ONU. Para Havana, qualquer tentativa de tutelar o futuro do país representa uma violação inaceitável do direito internacional.
Com o encerramento da participação nos debates da Assembleia Geral, o governo de Cuba reafirmou que continuará denunciando os efeitos do bloqueio econômico nos fóruns multilaterais, mantendo a confrontação direta com a política externa dos Estados Unidos para a região.


