O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória para proibir o funcionamento de apostas esportivas e cassinos on-line no Brasil. A decisão foi anunciada após um levantamento do Ministério da Fazenda revelar que os depósitos nas plataformas superaram R$ 318 bilhões entre janeiro de 2025 e junho de 2026. O volume apurado indica uma média diária de R$ 582 milhões aportados pelos apostadores no período.
Os dados foram consolidados pelo Sistema de Gestão de Apostas, vinculado à Secretaria de Prêmios e Apostas da pasta econômica, com base em informações obtidas via Lei de Acesso à Informação. O governo justificou a proibição total como uma medida de proteção social e de saúde pública para conter o endividamento das famílias e os impactos associados ao vício em jogos, enquanto oposição e empresas criticam a medida e prometem recorrer à Justiça.
A restrição drástica ocorre a poucos dias do pleito municipal, gerando acusações de caráter eleitoreiro por parte de parlamentares contrários à gestão. Em contrapartida, governistas sustentam que a urgência da medida se justifica pelo volume expressivo de recursos que saem da economia real para alimentar as plataformas digitais de quota fixa em todo o território nacional.
Depósitos bilionários e pico
A movimentação financeira nas plataformas registrou crescimento expressivo ao longo de 2025. Em janeiro daquele ano, os apostadores depositaram R$ 12 bilhões, volume que avançou consecutivamente até atingir o ápice em outubro, quando os aportes alcançaram R$ 22,59 bilhões em um único mês. No acumulado de 2025, o total depositado chegou a cerca de R$ 229,5 bilhões, superando despesas anuais de pastas como o Ministério da Educação.
A comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026 aponta uma retração de 12% na entrada de recursos, caindo de R$ 101 bilhões para R$ 88,5 bilhões. Mesmo com a desaceleração nos primeiros meses deste ano, a média diária permaneceu próxima de meio bilhão de reais até junho. O Ministério da Fazenda priorizou o monitoramento dos depósitos efetivos em vez do valor apostado total, por considerar que a segunda métrica pode incluir bonificações e a reutilização de prêmios anteriores.
Para organizar o encerramento das atividades do setor e a devolução dos saldos aos usuários, o Ministério da Fazenda detalhou o cronograma oficial aplicável às plataformas de quota fixa.
Estabelece cronograma de devolução
A partir do dia 14 de outubro, caso ocorra algum obstáculo operacional que impeça os bancos de realizarem os repasses, a Caixa Econômica Federal assumirá a responsabilidade de receber os recursos e providenciar a restituição diretamente aos apostadores cadastrados.
O cronograma oficial estabelecido pelo governo federal prevê prazos rígidos para a retirada voluntária e a posterior inativação dos sites e aplicativos de apostas em todo o território nacional.
As operadoras de apostas preparam ações judiciais coletivas e individuais para contestar a validade da interrupção abrupta das operações, alegando que cumpriram todas as exigências legais estabelecidas desde 2023. O debate jurídico e político deve se estender pelos tribunais nas próximas semanas, mesmo com o cumprimento do cronograma de encerramento estipulado pelo Ministério da Fazenda para o início de outubro.
Executivo enfrenta reação adversa
A decisão do Executivo gerou forte resistência por parte de clubes de futebol das principais divisões do país, que contam com patrocínios milionários de empresas do setor. Em meados de setembro, as equipes emitiram um manifesto defendendo a regulação e a fiscalização rigorosa em vez do banimento total, argumentando que a proibição cortará uma fonte essencial de receita para o esporte nacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as críticas dos clubes de futebol durante discursos públicos, afirmando que as instituições esportivas precisarão buscar outras fontes de financiamento. O mandatário enfatizou que o foco do governo é estancar os prejuízos sociais provocados pelo endividamento generalizado de cidadãos que buscam ganhos financeiros em apostas virtuais.
Eu quero que vocês saibam que tem muita gente doente por causa do jogo. Muita gente endividada. E eu quero dizer pra vocês, eu vou acabar com as bets.”
Luiz Inácio Lula da Silva
Além da Medida Provisória que encerra as operações, o governo federal enviou um Projeto de Lei ao Congresso Nacional para endurecer o combate ao mercado ilegal de apostas. A proposta legislativa define novos conceitos jurídicos e tipifica crimes específicos relacionados à exploração não autorizada de jogos de quota fixa no território brasileiro.
Regulamentação anterior e tribunais
As apostas de quota fixa foram legalizadas no Brasil no final de 2018, durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, com o objetivo de criar um marco regulatório para o setor. No entanto, a regulamentação efetiva e a fixação de regras de funcionamento só ocorreram em 2023, já sob a atual administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o governo passou a exigir o cadastramento e o cumprimento de exigências fiscais por parte das operadoras.
A rápida expansão do mercado atraiu dezenas de marcas internacionais e nacionais, transformando o segmento no principal patrocinador do futebol brasileiro e gerando um ecossistema financeiro de proporções bilionárias. Em 2025, por exemplo, o volume total de aportes superou o orçamento executado pelo Ministério da Educação no mesmo período, evidenciando o apetite financeiro dos brasileiros pelas plataformas digitais de apostas.
O governo federal mantém a posição de que as medidas adotadas são imprescindíveis para estancar o fluxo de recursos que escoam da economia produtiva para o setor de jogos. A Secretaria de Prêmios e Apostas segue monitorando o cumprimento das etapas estabelecidas pelo cronograma oficial de encerramento.
| Cronograma de proibição das bets | |
|---|---|
| Data ou Prazo | Acontecimento |
| 25 de setembro | Publicação da MP e fim de novos aportes |
| Até 5 de outubro | Prazo para retirada voluntária pelos apostadores |
| A partir de 6 de outubro | Sites e aplicativos de apostas saem do ar |
| Entre 7 e 8 de outubro | Bets informam saldos por CPF às instituições |
| De 9 a 14 de outubro | Devolução dos valores pelos bancos aos usuários |
Fonte: Ministério da Fazenda


