O Departamento de Controle do Espaço Aéreo e a Polícia Federal avaliam a implantação de um sistema antidrones no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A medida em estudo busca proteger a aviação comercial contra invasões recorrentes que ameaçam a segurança das operações no principal terminal do país.
Atualmente, nenhum aeroporto brasileiro conta com uma tecnologia avançada capaz de impedir de forma ativa a utilização de equipamentos não autorizados em áreas restritas. Os órgãos federais buscam alternativas para conter o avanço desse tipo de ocorrência na aviação regular.
Balanço revela avistamentos frequentes
Dados oficiais apontam que pelo menos 52 ocorrências envolvendo drones que impactaram a aviação regular foram registradas ao longo deste ano no país. Desse total, 14 episódios ocorreram especificamente na região do aeroporto de Guarulhos, acendendo o alerta das autoridades aeroportuárias.
Um dos casos mais graves aconteceu em 20 de agosto, quando a presença de drones na área de aproximação obrigou a suspensão das operações por 40 minutos. A paralisação temporária provocou o atraso de 20 voos e o cancelamento de outras oito partidas programadas.
A Abear informou que o incidente afetou diretamente 4,9 mil passageiros que dependiam do terminal naquele dia. O episódio evidenciou a vulnerabilidade do espaço aéreo diante do tráfego não autorizado de equipamentos civis e recreativos.
Tecnologia rastreia operadores suspeitos
O projeto em discussão prevê a instalação de ferramentas capazes de detectar a presença de drones sobrevoando áreas de risco, rastrear a origem do sinal e identificar o operador do equipamento. Em seguida, o sistema permitiria neutralizar a ameaça por meio de bloqueadores conhecidos como jammers.
Tadeu Neves, gerente de operações da GRU Airport, explicou que os levantamentos técnicos já foram repassados às autoridades competentes para acelerar a tomada de decisão sobre o investimento necessário no terminal paulista.
Com essas informações, a gente compilou e encaminhou para o Decea e para a Polícia Federal e demos um prazo até o final do mês para eles retornarem.
Tadeu Neves, gerente de operações da GRU Airport
A administração do aeroporto aguarda o retorno dos órgãos federais para avançar na cotação de propostas junto ao mercado especializado. O objetivo é definir os custos e os modelos mais adequados para a realidade operacional do aeroporto internacional.
Regulamentação exige aval ministerial
A implementação de bloqueadores de sinal em áreas aeroportuárias esbarra em entraves regulatórios complexos que exigem a coordenação entre diferentes agências reguladoras do governo federal. Giovano Palma, superintendente de infraestrutura da Anac, detalhou os limites legais para a ativação dessas ferramentas.
A neutralização de drones envolve bloqueadores de radiofrequência, o que também exige a atuação da Anatel.
Giovano Palma, superintendente de infraestrutura da Anac
A Anatel é o órgão responsável por definir em quais situações específicas o uso de bloqueadores de radiofrequência é permitido, além de estabelecer quais autoridades possuem autorização legal para acionar os dispositivos em solo.
Especialistas cobram novas diretrizes
Atualmente, o país dispõe apenas de um protocolo básico de comunicação para casos de avistamento de drones nas imediações de aeroportos. No entanto, especialistas e autoridades admitem que o mecanismo existente se mostra limitado diante do aumento da frequência das invasões.
As discussões envolvem uma articulação contínua entre Decea, Polícia Federal, Anac e Anatel para padronizar novas respostas operacionais. O setor aéreo cobra maior rigidez e agilidade na implantação de defesas eletrônicas definitivas para evitar novos prejuízos aos passageiros.
Novas diretrizes devem ser debatidas pelas autoridades nas próximas semanas para definir o formato jurídico e tecnológico da futura proteção contra drones em Guarulhos.


