O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou o início da primeira onda de calor da primavera, abrangendo oito estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul sob alerta vermelho de grande perigo. O aviso, que segue válido até a próxima quarta-feira (30), registra temperaturas até 5ºC acima da média e máximas previstas de até 41ºC em Cuiabá.
A instabilidade atmosférica é impulsionada por bolsões de ar quente e reflexos do fenômeno El Niño, que barram o avanço de frentes frias. Além do calor extremo, a forte estiagem derruba a umidade do ar e acende o sinal de alerta para o risco de incêndios florestais em várias regiões.
Estados e regiões afetadas
O alerta máximo abrange múltiplos estados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país. Entre os locais atingidos estão grandes centros urbanos e áreas agrícolas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além de trechos de Goiás e Santa Catarina.
No estado de São Paulo, o aviso abrange mais de 600 municípios, incluindo a capital e áreas do litoral e do interior. Já no Rio de Janeiro, a restrição climática atinge a região metropolitana da capital, além do Sul e do Centro Fluminense. Em Minas Gerais, o tempo severo afeta o Triângulo Mineiro, a Zona da Mata e o Sul estadual.
As condições de instabilidade atmosférica também afetam os estados vizinhos do Centro-Oeste e do Sul, onde a circulação de ventos favorece a persistência de massas de ar quente. A Defesa Civil e órgãos estaduais de meteorologia permanecem em prontidão para monitorar os impactos diretos sobre a população e a infraestrutura urbana.
Temperaturas extremas nas capitais
Nas capitais e grandes municípios monitorados pelo Inmet, os termômetros devem registrar marcas expressivas ao longo do final de semana e do início da próxima semana. Em Cuiabá, no Mato Grosso, as previsões indicam máximas que podem alcançar até 41ºC no domingo (27) e na segunda-feira (28).
Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a onda de calor também eleva fortemente as marcas térmicas, com pico estimado em torno de 40ºC na segunda-feira. Na cidade de São Paulo, a capital paulista espera máximas próximas de 32ºC durante o domingo, acompanhadas de baixa umidade.
Especialistas explicam que a persistência de bolsões de ar quente combinada com padrões climáticos associados ao fenômeno El Niño intensifica a captação de calor na superfície. Essa dinâmica impede o avanço rápido de frentes frias e prolonga os dias consecutivos de forte insolação.
Tempo seco e risco de incêndios
Além das temperaturas elevadas, a forte estabilidade atmosférica provoca uma queda drástica na umidade relativa do ar em diversas localidades. Nas regiões norte e oeste do estado paulista, os índices previstos podem ficar próximos ou abaixo de 30%, elevando o sinal de alerta para a vegetação seca.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo destacou que a combinação de calor intenso e ar seco aumenta significativamente o risco para o surgimento e a propagação rápida de queimadas. Proprietários rurais e moradores de áreas urbanas próximas a matas devem redobrar os cuidados preventivos.
No norte e oeste paulista, a combinação entre calor, tempo seco e menor umidade exige atenção para a ocorrência e propagação de queimadas.
Defesa Civil do Estado de São Paulo
Na faixa leste paulista, por outro lado, o resfriamento noturno associado à umidade vinda do oceano pode favorecer a formação de nevoeiros nas primeiras horas da manhã. No litoral, a umidade marítima também mantém a possibilidade de chuviscos isolados, oferecendo um alívio temporário para quem transita na região costeira.
Frente fria muda o cenário
A situação de calor extremo e tempo seco deve começar a perder força a partir de quarta-feira (30), com a previsão de chegada de um sistema frontal ao Sudeste. A aproximação dessa frente fria tende a aumentar a nebulosidade e provocar pancadas de chuva isoladas em algumas áreas.
As instabilidades devem amenizar as marcas térmicas elevadas e recuperar gradualmente os índices de umidade do ar, que vinham operando em patamares críticos. Até lá, no entanto, a recomendação oficial é manter o monitoramento constante dos avisos meteorológicos e adotar medidas severas de proteção à saúde.
O acompanhamento contínuo dos órgãos de meteorologia permanece fundamental para orientar a população sobre eventuais mudanças repentinas na direção dos ventos e na intensidade das precipitações previstas para os próximos dias.


