Insegurança com vaivém das bets afasta investidores, alerta ex-diretor do BC

Para Luiz Fernando Figueiredo, decisões abruptas do governo geram insegurança jurídica e tornam impossível planejar investimentos de longo prazo no país.

Da
Redação
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Decisões recentes sobre o setor de apostas geram debates intensos entre analistas econômicos e operadores do mercado financeiro.
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A proibição das apostas esportivas e de jogos online por meio de medida provisória provocou fortes reações no mercado financeiro e duras críticas de especialistas. Em entrevista recente, Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, avaliou que esse tipo de decisão abrupta transmite uma perigosa sensação de insegurança jurídica aos empresários, afetando negócios de todos os portes.

Para o especialista, o principal problema reside na falta de previsibilidade e na sucessão de mudanças de rumo adotadas pelo governo. Figueiredo apontou que o cenário atual é marcado por decisões desencontradas que prejudicam a confiança nas regras econômicas vigentes no país.

Sensação de insegurança jurídica

Figueiredo destacou que o efeito mais imediato de reviravoltas regulatórias é a paralisia dos agentes econômicos. Quando empresários e fundos percebem que regras podem mudar da noite para o dia, a reação padrão é interromper novos aportes e aguardar maior clareza institucional.

Segundo o ex-diretor, um contrato firmado que pode ser alterado a qualquer momento inviabiliza qualquer planejamento financeiro de médio ou longo prazo. Setores produtivos dependem de horizontes estáveis de três a dez anos para viabilizar projetos, o que se torna impraticável em um ambiente de volatilidade normativa.

O impacto recai diretamente sobre a taxa de investimentos do país, que atualmente oscila entre 14% e 15% do Produto Interno Bruto. Figueiredo ressaltou que o Brasil necessitaria de patamares superiores a 20% do PIB para assegurar um crescimento sustentável, mas o ambiente atual caminha na direção oposta.

Pressão sobre juros e PIB

Além da desconfiança gerada pelas regras das apostas, a análise econômica abrangeu o quadro fiscal e monetário brasileiro. O especialista alertou que a combinação de estímulos econômicos de curto prazo com desequilíbrios estruturais pode empurrar o país para um cenário recessivo.

Nessa dinâmica, a política fiscal expansionista acaba gerando inflação e custos elevados para toda a cadeia produtiva. Com isso, o Banco Central se vê obrigado a elevar a taxa básica de juros para conter a alta de preços, mesmo com efeitos colaterais nocivos para a atividade econômica.

Figueiredo definiu o Banco Central como um agente que apenas reage às inconsistências macroeconômicas geradas em outras esferas do governo. Para ele, os gastos públicos pontuais acabam custando centenas de bilhões adicionais à economia real, elevando o custo de capital a patamares proibitivos.

Quebra de contratos previstos

No aspecto estritamente jurídico, a interrupção das atividades das empresas de apostas deve resultar em intensa litigiosidade nos tribunais brasileiros. Como as outorgas concedidas anteriormente tinham vigência prevista de cinco anos, a suspensão abrupta é tratada por analistas como uma ruptura contratual.

As consequências dessa quebra se estendem a uma ampla rede de parceiros comerciais, incluindo clubes de futebol, emissoras de mídia, empresas de tecnologia e prestadores de serviços que mantinham contratos vigentes com as plataformas de apostas.

Especialistas apontam que a insegurança gerada por litígios dessa magnitude tende a afastar ainda mais o capital estrangeiro e nacional, criando um ambiente desfavorável para a formalização de novos negócios e parcerias corporativas de longo prazo.

Investimentos abaixo do ideal

A taxa de investimento aquém das necessidades históricas do Brasil reflete um processo contínuo de deterioração da capacidade produtiva. Sem reformas que garantam previsibilidade regulatória e fiscal, o país corre o risco de permanecer estagnado.

A falta de atratividade para capitais produtivos obriga a economia a depender de fluxos voláteis, que respondem de forma imediata a qualquer sinal de instabilidade política ou jurídica. O resultado é um ciclo vicioso de juros altos e crescimento frustrado.

A reversão desse quadro, segundo analistas do mercado financeiro, exige um compromisso rigoroso com a consistência das políticas públicas e o respeito estrito aos contratos firmados entre o setor privado e o poder público.

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