O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (25) em queda de 0,22%, aos 183.560,32 pontos, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras e por um ambiente de cautela com inflação, juros e mercado externo. O índice chegou a 182.151,01 pontos na mínima do dia e alcançou 184.214,48 pontos na máxima.
Na semana, o principal indicador da B3 acumulou baixa de 0,90%, depois de alternar sessões de avanço e correção. O dólar começou o dia em queda diante do real, enquanto investidores acompanharam o IPCA-15, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e novas sinalizações sobre a política monetária.
Petrobras pressiona o índice
A sessão foi marcada pela fraqueza das ações da Petrobras, que acompanharam a queda dos preços internacionais do petróleo e reduziram a sustentação do Ibovespa. A companhia tem peso relevante na composição do índice, por isso movimentos mais fortes de seus papéis costumam influenciar diretamente a direção da Bolsa.
O Ibovespa chegou a operar com perda mais acentuada durante o pregão, quando caiu ao patamar dos 182 mil pontos. A recuperação parcial ocorreu ao longo da tarde, em meio a uma melhora de Wall Street e à acomodação dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos.
Mesmo com a reação intradiária, o índice não conseguiu voltar ao terreno positivo. O fechamento aos 183.560,32 pontos manteve a sequência de correção observada nos últimos pregões e deixou a Bolsa abaixo dos níveis vistos no início da semana.
O volume financeiro somava cerca de R$ 21,5 bilhões antes dos ajustes finais da sessão, segundo dados divulgados no encerramento do mercado.
Semana termina no vermelho
A trajetória dos últimos cinco pregões mostra uma semana de forte oscilação. Depois de começar com avanço, o Ibovespa perdeu força na segunda metade do período e encerrou a sexta-feira com queda semanal de 0,90%.
| Evolução do Ibovespa na semana | ||
|---|---|---|
| Pregão | Fechamento | Variação |
| 21 de setembro | 186.596 pontos | +0,74% |
| 22 de setembro | 187.423 pontos | +0,44% |
| 23 de setembro | 185.814 pontos | -0,86% |
| 24 de setembro | 183.966 pontos | -0,99% |
| 25 de setembro | 183.560 pontos | -0,22% |
A maior pontuação da semana ocorreu na terça-feira (22), quando o índice terminou acima de 187 mil pontos. A partir daí, duas quedas mais fortes reduziram parte do ganho acumulado anteriormente e levaram o mercado de volta à região dos 183 mil pontos.
O desempenho semanal também refletiu a combinação entre fatores domésticos e externos, com investidores ajustando posições diante de inflação, expectativa para os juros e mudanças no preço das commodities.
Inflação entra no radar
No ambiente doméstico, o mercado avaliou o IPCA-15 de setembro, que mostrou aceleração da prévia da inflação oficial. O dado reforçou a atenção sobre a velocidade dos próximos cortes da Selic e sobre o espaço disponível para o Banco Central manter o ciclo de flexibilização monetária.
Juros mais altos por mais tempo tendem a afetar empresas dependentes de crédito e reduzem a atratividade relativa das ações diante da renda fixa. Por isso, indicadores de inflação seguem com impacto direto sobre o comportamento de setores sensíveis à atividade econômica e ao custo de capital.
O cenário eleitoral também permaneceu no radar dos investidores, mas o desempenho da sessão foi influenciado de maneira mais direta pela combinação entre Petrobras, inflação e movimento dos mercados internacionais.
Dólar e exterior pesam
No câmbio, o dólar começou a sexta-feira em queda diante do real, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior. Pela manhã, a cotação à vista recuava para a região de R$ 5,18, depois de ter encerrado a sessão anterior a R$ 5,1931.
Os rendimentos dos Treasuries continuaram importantes para a formação de preços. Taxas mais elevadas nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos norte-americanos e podem pressionar moedas e ativos de países emergentes, inclusive o real e a Bolsa brasileira.
Nos Estados Unidos, o viés positivo das bolsas durante parte da tarde ajudou o Ibovespa a se afastar da mínima do dia. Ainda assim, o índice brasileiro fechou no vermelho e encerrou a semana com saldo negativo, mantendo o mercado atento aos próximos indicadores de inflação, atividade e juros.


