O BNDES aprovou um financiamento de R$ 329 milhões para viabilizar a circulação de 175 ônibus elétricos no Rio de Janeiro por meio de uma parceria público-privada inédita. Os recursos liberados são provenientes do Fundo Clima e visam acelerar a descarbonização da frota municipal.
A operação financeira integra o planejamento da prefeitura para alcançar a meta de ter 20% dos ônibus urbanos livres de emissões até 2030. O investimento total na primeira fase do projeto atinge o patamar de R$ 509 milhões, somando aportes da concessionária e da administração local.
Adota modelo inédito de PPP
A execução do plano municipal por meio de uma concessão administrativa é considerada pioneira pelo banco de fomento. Cada cidade está buscando o seu caminho para a descarbonização, e o Rio optou por um modelo muito criativo ao buscar a primeira PPP para esse setor, avalia a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa.
O projeto-piloto integra o planejamento da prefeitura para alcançar a meta de ter 20% da frota municipal composta por ônibus de emissão zero até o ano de 2030, o que representa aproximadamente mil coletivos elétricos circulando pela capital fluminense. Com o andamento da concessão, a administração municipal assumirá o compromisso de pagar as contraprestações periódicas à concessionária vencedora.
O prefeito do município, Eduardo Cavaliere, pontua que a parceria faz parte de uma estratégia mais ampla de descarbonização urbana. Segundo a gestão municipal, a renovação progressiva dos coletivos também contemplará veículos movidos a biocombustíveis, diversificando a matriz energética do transporte coletivo local.
Eleva investimento total estimado
O montante financiado pelo BNDES soma-se aos recursos que serão investidos pela concessionária vencedora e à contrapartida financeira do próprio município. Essa composição de capital eleva o investimento total aplicado no primeiro lote de 175 veículos elétricos ao patamar de R$ 509 milhões.
O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, ressalta que a operação representa o marco inicial definitivo para a transformação ambiental do sistema de transporte da metrópole. O projeto serve como base para atrair novas etapas de modernização tecnológica nos próximos anos.
A instituição financeira federal estima que a operação dos novos coletivos elétricos resulte na criação imediata de 535 empregos diretos na região metropolitana. Além disso, a iniciativa deve proporcionar uma redução estimada em 13,3 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano.
Garante forte redução ambiental
Ao longo dos 16 anos previstos de vigência da concessão administrativa, a diminuição acumulada na emissão de gases poluentes deverá atingir a marca de aproximadamente 199,4 mil toneladas. A estimativa reforça o alinhamento do projeto com os compromissos ambientais assumidos pelo país no cenário internacional.
Com a eletrificação, o Rio vai contribuir para que o Brasil cumpra sua meta do Acordo de Paris e para que a gente tenha menos catástrofes climáticas.
Luciana Costa, diretora do BNDES
A projeção de impacto ambiental positivo reforça a relevância dos investimentos públicos direcionados à infraestrutura verde e à adaptação climática das grandes cidades brasileiras. Especialistas apontam que a eletrificação do transporte coletivo é uma das medidas mais eficazes para mitigar a poluição atmosférica urbana.
O projeto também se conecta com as discussões globais sobre financiamento verde e o papel dos bancos de desenvolvimento na transição para matrizes de transporte menos poluentes. A modelagem financeira adotada no Rio de Janeiro passa a servir de referência para outros centros urbanos que pretendem renovar suas frotas.
Avança para novas etapas
Com a aprovação dos recursos pelo BNDES, o processo avança para as etapas contratuais e de licitação para definir a empresa responsável pela operação do sistema elétrico. O cronograma prevê a implantação gradual da infraestrutura de recarga e a entrega dos primeiros veículos conforme as diretrizes estabelecidas no contrato de concessão.
A prefeitura informou que acompanhará de perto todas as fases de implantação para garantir o cumprimento das metas de desempenho operacional e ambiental exigidas no acordo. O acompanhamento técnico visa assegurar a eficiência do serviço prestado à população e a sustentabilidade financeira do projeto a longo prazo.
A expectativa do poder público é que os resultados do primeiro lote consolidem a viabilidade econômica do modelo de parceria, abrindo caminho para novas fases de expansão da eletrificação nos corredores de trânsito de maior fluxo na capital fluminense.


