A Petrobras e a ExxonMobil articulam pedidos conjuntos de licenciamento ambiental para acelerar a exploração de blocos na Margem Equatorial arrematados em parceria no 5º Ciclo de Oferta Permanente da ANP, realizado em 2025.
A informação foi confirmada pela diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, durante o ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. A parceria prevê que os operadores demandem licenças cruzadas para otimizar o uso de dados sísmicos já coletados na região.
Divisão de operações societárias
Nos blocos FZA-M-1040, FZA-M-1042, FZA-M-188, FZA-M-190 e FZA-M-403, a Petrobras atua como operadora principal do consórcio, enquanto a ExxonMobil detém fatia de 50% de participação. Para essas áreas específicas, a estatal brasileira aguarda o aval regulatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
Por outro lado, em um segundo grupo formado pelos blocos FZA-M-477, FZA-M-547, FZA-M-549, FZA-M-619 e FZA-M-621, a ExxonMobil assume a liderança operacional com a mesma divisão de sociedade. A cooperação mútua busca acelerar o avanço nos processos ambientais necessários para iniciar a exploração nas novas fronteiras.
A executiva ressaltou que a Exxon já possui os dados sísmicos coletados naquelas áreas, o que facilita o planejamento conjunto. O alinhamento operacional pretende dar celeridade às demandas exigidas pelos órgãos fiscalizadores federais na região de nova fronteira exploratória.
Avanços na Margem Equatorial
Em relação à presença da companhia na nova fronteira petrolífera do país, Sylvia Anjos confirmou que a estatal integra o grupo de petroleiras atendidas pelo levantamento sísmico 3D contratado com as empresas especializadas SLB e Shearwater GeoServices. A Chevron também avalia uma área situada nas proximidades do poço exploratório Morpho.
Sobre a viabilidade comercial na região, a diretora reiterou que é preciso confirmar o potencial do óleo descoberto antes de definir os próximos passos logísticos. A estatal já obteve autorização ambiental para perfurar três poços adjacentes a Morpho e aguarda liberações para outros cinco poços em blocos vizinhos.
Atualmente, o foco operacional da empresa na Bacia da Foz do Amazonas concentra-se no avanço das perfurações nos prospectos identificados como Manga, Crotalus e na extensão de Morpho. A estratégia busca consolidar o conhecimento técnico da área antes de investimentos definitivos em infraestrutura.
A ideia é que eles, como operadores, também demandem uma licença para os poços em que nós somos parceiros. A Exxon já tem a sísmica daqueles blocos.
Sylvia Anjos, diretora da Petrobras
Estatal prioriza reservas africanas
Fora do Brasil, a companhia segue priorizando a busca por novas reservas na costa do continente africano, descartando por ora investimentos na Venezuela. A estatal firmou um memorando de entendimento com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique e concluiu contratos de partilha de produção na Costa do Marfim.
A diretora destacou que a prioridade corporativa está em estudar os blocos disponíveis na África para participar dos próximos leilões internacionais de concessão. A expansão externa visa garantir a reposição de reservas do portfólio de longo prazo da petroleira brasileira.
Na Colômbia, onde a corporação registrou uma descoberta de gás natural no poço Sandia-1, localizado em águas profundas no bloco GUA-OFF-0, o modelo de desenvolvimento segue em fase avançada de estudos técnicos.
Projeto inovador na Colômbia
O plano para o gás descoberto em território colombiano adota uma arquitetura considerada inovadora pela engenharia da companhia sul-americana. Como o insumo é caracterizado como gás metano limpo, o projeto descarta a instalação de plataformas marítimas na lâmina d’água.
O escoamento da produção ocorrerá diretamente do leito marinho até um terminal terrestre por meio de gasodutos submarinos dedicados. Os engenheiros trabalham agora na validação definitiva do modelo operacional e comercial antes da implantação definitiva.
A iniciativa reforça a busca da empresa por soluções tecnológicas que reduzam custos de capital e emissões operacionais em seus novos projetos internacionais de exploração de gás em águas profundas.


