O narrador Paulo Andrade revelou que passou noites em claro digerindo a falha ao não identificar de imediato o recorde mundial de Alison dos Santos, o Piu, durante a etapa de Zurique da Diamond League. O locutor participou do “Charla Podcast” e admitiu publicamente que a cobertura não saiu da forma ideal.
Segundo o profissional, o erro ocorreu devido ao forte cansaço acumulado por conta de sua escala de trabalho na véspera, quando transmitiu uma partida de futebol antes de viajar para narrar o evento de atletismo na Suíça.
Foco na rivalidade
Por causa do curto período de preparação, Paulo Andrade optou por focar a transmissão no histórico de confrontos entre o brasileiro Piu e o norueguês Karsten Warholm, campeão olímpico e então detentor do recorde mundial. O locutor relatou que confiava na premissa de que marcas históricas raramente são quebradas em etapas comuns da Diamond League.
A convicção acabou caindo por terra nos instantes finais da prova disputada na Suíça. Após narrar mais uma vitória de Alison sobre o principal adversário, o narrador levou preciosos segundos até notar a informação que mudava o patamar da modalidade.
Apareceu aqui no cantinho direito da tela que ele tinha acabado de bater o recorde mundial, lembrou o narrador, que admitiu ter passado noites em claro digerindo o lance.
Desabafo no podcast
O reconhecimento da falha veio acompanhado de detalhes sobre o impacto emocional que a situação provocou nos bastidores da profissão. O locutor esportivo pontuou que a exigência da cobertura exige atenção constante, fator que foi comprometido pelo desgaste físico acumulado na maratona de transmissões.
Fiquei umas três noites sem dormir!
Paulo Andrade
A repercussão negativa entre os telespectadores serviu de reflexão sobre a preparação necessária para eventos de grande porte. A autocrítica do profissional foi recebida com surpresa por parte dos fãs, que acompanham sua trajetória nos canais do Grupo Globo.
Marca histórica na pista
O recorde mundial coroa a temporada em que Alison dos Santos se consolidou definitivamente como o principal nome dos 400 metros com barreiras. O brasileiro deixou para trás o norueguês Karsten Warholm, cuja marca anterior de 45s94 havia sido estabelecida nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.
Com uma arrancada forte desde os metros iniciais, Piu abriu vantagem sobre o rival na última curva e ampliou a diferença na reta final. O atleta conseguiu baixar o tempo em 14 centésimos, cravar 45s80 e registrar o primeiro recorde mundial do Brasil em provas de pista.
Domínio na temporada
A quebra do recorde em Zurique consolidou o amplo domínio exercido por Alison nos confrontos diretos contra Warholm ao longo do ano. Os dois velocistas se enfrentaram em cinco oportunidades oficiais nesta temporada, com cinco vitórias do brasileiro.
O retrospecto recente do atleta inclui o ouro no Mundial de 2022, a prata na edição de 2025 e as medalhas de bronze tanto em Tóquio-2021 quanto nos Jogos Olímpicos de Paris, disputados em 2024.


