O avião está no Brasil para participar do Exercício Conjunto Tápio 2026, em Campo Grande. Trata-se de um HC-130J Combat King II, plataforma americana de recuperação de pessoal cujo modelo integrou o apoio militar no Caribe durante a operação que terminou com a captura de Nicolás Maduro.
A aeronave chegou ao Brasil em setembro para integrar o Exercício Conjunto Tápio 2026, atividade conduzida com participação da Força Aérea Brasileira e de militares estrangeiros. O treinamento reúne missões de busca e salvamento em combate, infiltração, resgate em áreas remotas e apoio a operações complexas.
HC-130J treina em Campo Grande
O Combat King II é uma versão de alcance ampliado do C-130J Hercules e foi projetado para operações de recuperação de pessoal. A Força Aérea dos Estados Unidos descreve o modelo como sua plataforma dedicada de asa fixa para esse tipo de missão.
Entre suas capacidades estão lançamento de equipes e suprimentos, pouso em pistas austeras, reabastecimento de helicópteros em voo e abastecimento avançado em solo. A aeronave também pode ser empregada em assistência humanitária, resposta a desastres e evacuação aeromédica.
O modelo conta com sistemas de navegação integrados, sensores infravermelhos, receptores de alerta de radar e mísseis, além de equipamentos de comunicação por satélite. As tripulações são treinadas para operar de dia ou à noite, inclusive em baixa e média altitude.
A presença do avião em Campo Grande permite que militares brasileiros e americanos treinem procedimentos conjuntos de recuperação e apoio aéreo. A Base Aérea de Campo Grande abriga unidades ligadas a missões de salvamento e já recebeu outras edições do exercício Tápio.
Tápio simula resgates conjuntos
O Exercício Conjunto Tápio foi criado em 2018 para adestrar esquadrões da Força Aérea e unidades de infantaria em cenários de conflito e operações de paz. A atividade inclui ações de busca e salvamento em combate, apoio aéreo aproximado, reconhecimento, infiltração e evacuação aeromédica.
Em edições anteriores, o treinamento já contou com participação americana e emprego de aeronaves HC-130J e helicópteros voltados à recuperação de pessoal. A cooperação busca padronizar procedimentos e melhorar a capacidade de atuação conjunta entre forças de países parceiros.
Campo Grande é um dos principais pontos de treinamento desse tipo de missão no Brasil. O Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, conhecido como PARA-SAR, é sediado na capital sul-mato-grossense e atua em operações especiais e de resgate.
Modelo operou no Caribe
Registros oficiais divulgados pelo sistema de imagens do Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostram um HC-130J estacionado em Ceiba, em Porto Rico, em 2 de janeiro de 2026, na véspera da operação americana na Venezuela. A aeronave integrava o dispositivo militar de apoio mantido no Caribe.
Imagens publicadas depois da ação também registraram HC-130J na base de Roosevelt Roads, em Porto Rico. O emprego desse tipo de aeronave é compatível com missões de recuperação de pessoal, apoio a helicópteros e reabastecimento, funções previstas na configuração Combat King II.
Os registros disponíveis confirmam a presença do modelo na estrutura de apoio da operação americana, mas não detalham publicamente todas as tarefas executadas por cada aeronave individual durante a captura de Maduro. A identificação do avião atualmente no Brasil como a mesma célula presente na ação depende de registros operacionais específicos.
Captura mudou cenário venezuelano
As forças americanas capturaram Maduro e sua esposa em Caracas em 3 de janeiro de 2026. O governo dos Estados Unidos apresentou a ação como parte de uma operação ligada a acusações criminais contra o então presidente venezuelano, que já havia sido denunciado em território americano.
Após a captura, Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência da Venezuela. O episódio provocou repercussão diplomática e jurídica na região, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos mantiveram presença militar ampliada no Caribe.
O HC-130J usado no treinamento brasileiro pertence a uma família de aeronaves com alcance superior a 4 mil milhas, segundo a Força Aérea dos Estados Unidos. Sua missão principal permanece a recuperação de pessoal, com capacidade de apoiar helicópteros e operar em áreas de acesso limitado.


