O Legacy 650 usado por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025 tinha entre seus cotistas o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas relacionadas às fraudes no INSS, e era operado por uma empresa ligada à Prime You, companhia da qual Daniel Vorcaro foi sócio. O senador confirmou o deslocamento.
Voo ocorreu em janeiro
A viagem foi realizada em janeiro de 2025. Flávio Bolsonaro estava acompanhado da esposa e das duas filhas, e o advogado Willer Tomaz também participou do deslocamento entre os Estados Unidos e Brasília.
O senador confirmou publicamente a viagem após a informação ser revelada pela revista Piauí. Segundo Flávio, a informação que possuía à época era de que a aeronave pertencia a Willer.
Tomaz confirmou ser proprietário de uma das cotas do avião. Por meio de sua defesa, afirmou não conhecer Daniel Vorcaro e disse que jamais manteve negócio com o banqueiro.
A defesa do advogado também declarou que uma cota de terceiro teria sido vendida à Prime You sem seu conhecimento ou anuência e que, desde abril de 2026, ele está em litígio com a empresa.
Prime You operava aeronave
Na época do voo, a Prime You possuía participação na aeronave, e a operação era feita pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025.
Willer Tomaz é investigado pela Polícia Federal em apuração sobre suspeitas de desvios em benefícios do INSS. A condição de investigado não significa condenação, e sua defesa contesta qualquer relação empresarial com Vorcaro.
O fato de pessoas distintas compartilharem cotas de uma aeronave também não comprova, por si só, vínculo entre todos os usuários ou conhecimento sobre os negócios dos demais cotistas.
Mesmo avião levou Moraes
O Legacy 650, prefixo PP-NLR, também transportou o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em agosto de 2025, cerca de sete meses após a viagem de Flávio.
Imagens publicadas posteriormente mostraram o casal desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O uso da mesma aeronave tornou-se um ponto de interesse público devido às conexões empresariais reveladas nas investigações sobre o Banco Master.
O voo de Moraes ocorreu meses depois de o escritório de Viviane firmar contrato com uma empresa ligada a Vorcaro, circunstância mencionada em apurações policiais e jornalísticas. Não há, porém, no fato do transporte isolado, prova de participação do ministro nos negócios investigados.
Apurações seguem separadas
O caso INSS e as investigações sobre o Banco Master têm objetos e personagens diferentes, embora alguns nomes e empresas apareçam em contextos que se cruzam. A Polícia Federal apura cada núcleo segundo suas próprias evidências.
Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República em 2026, o que ampliou a repercussão política do episódio. O senador reagiu à revelação com ironia e afirmou que acreditava estar viajando em um avião pertencente a Willer.
As investigações continuam em andamento, e eventuais responsabilidades dependem da análise de documentos, contratos, fluxos financeiros e outras provas. Até aqui, a notícia sobre o voo registra o uso da aeronave e os vínculos societários conhecidos no período.


