Flávio Bolsonaro promete alinhar Brasil ao Escudo das Américas de Trump

Candidato à Presidência criticou a política externa do governo atual e classificou o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ONU como um vexame

Da
Redação
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O senador Flávio Bolsonaro criticou a gestão federal durante transmissão ao vivo e defendeu cooperação internacional de segurança.Divulgação/Donald Trumo
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O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) criticou duramente a política externa conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prometeu integrar o país à aliança regional conhecida como Escudo das Américas. A declaração ocorreu durante uma transmissão ao vivo realizada nesta quarta-feira (23/9), repercutindo a recente adesão de países latino-americanos e caribenhos a uma coalizão liderada pelos Estados Unidos voltada ao combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.

Segundo o parlamentar, a ausência brasileira na iniciativa norte-americana reflete uma escolha política da atual administração federal. Durante a live em seu canal oficial, o candidato argumentou que a cooperação internacional é indispensável para enfrentar facções criminosas que atuam além das fronteiras nacionais, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), cujas atuações geram impactos diretos na segurança pública do continente sul-americano.

Aliança regional contra o crime

O Escudo das Américas foi estruturado pelo governo dos Estados Unidos para articular ações conjuntas de inteligência, bloqueio de ativos financeiros e medidas restritivas contra organizações criminosas apontadas como narcoterroristas. O projeto prevê a troca constante de informações entre os países participantes, além de ações coordenadas e medidas financeiras como o congelamento de bens de suspeitos integrados aos grupos fichados pela iniciativa internacional.

Hoje, o Brasil permanece fora do grupo e, na visão do senador, essa lacuna diplomática decorre unicamente de uma diretriz adotada pelo Palácio do Planalto. A articulação estrangeira busca conter o avanço territorial e econômico de cartéis e facções em todo o continente, exigindo o alinhamento estratégico das nações vizinhas para garantir maior eficácia nas operações de segurança pública e combate ao tráfico transnacional de drogas.

O que foi essa participação desse Lula na ONU? Que vexame para o nosso Brasil.”

Flávio Bolsonaro

Adesão de países vizinhos

A manifestação de Flávio Bolsonaro ocorreu logo após 14 países da América Latina e do Caribe formalizarem adesão à iniciativa em Nova York. Na lista de organizações visadas pela coalizão, constam dezenas de grupos criminosos de grande atuação regional, incluindo as duas principais facções de origem brasileira, que já haviam recebido classificações específicas por parte de autoridades norte-americanas nos meses anteriores.

Assinaram o documento na ocasião nações como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Peru e Trinidad e Tobago. Na prática, a medida institucional estabelece o compromisso de cooperação mútua e o emprego de legislações locais para sufocar as fontes de financiamento e a logística operacional das redes criminosas que ameaçam a estabilidade política e social da região.

Críticas à atuação na ONU

Além de abordar os temas de segurança e política externa, o candidato aproveitou a transmissão para repercutir o discurso proferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York. O senador avaliou a participação do atual chefe de Executivo federal no evento internacional como um momento desfavorável para a imagem do país no exterior.

O petista havia subido à tribuna da entidade no dia anterior para cumprir a tradição diplomática que coloca o Brasil como primeiro orador do conclave global. Na avaliação do parlamentar oposicionista, a exposição do governo brasileiro careceu de resultados concretos e distanciou-se da realidade econômica e social vivida pela população nacional ao longo dos últimos anos de gestão federal.

Cenário para o próximo ano

Diante do quadro apresentado aos eleitores, o candidato reforçou que pretende reorientar as diretrizes diplomáticas brasileiras a partir do próximo ano, caso vença a disputa eleitoral ao Planalto. A promessa de integração ao bloco liderado por Washington sintetiza a proposta de priorizar acordos bilaterais e multilaterais de forte apelo na área de segurança pública e defesa das fronteiras nacionais contra o crime organizado.

A estratégia busca capitalizar o desgaste da atual política externa e mobilizar o eleitorado conservador em torno de pautas ligadas ao combate rigoroso à criminalidade e ao terrorismo. As discussões em torno da autonomia geopolítica do Brasil e de seu papel nas coalizões hemisféricas prometem continuar ocupando espaço central nos debates políticos até o desfecho do próximo pleito presidencial no país.

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