A mineradora australiana Power Minerals identificou um alvo exploratório de até 10,7 milhões de toneladas de material mineralizado no projeto Morro do Ferro, situado em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. O anúncio foi divulgado pela companhia na bolsa de valores australiana e consolida dados geológicos da região para a exploração de minerais estratégicos.
Segundo as informações divulgadas, o volume estimado oscila entre 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas, apresentando teores que variam de 7,8% a 9,2% de óxidos totais de terras raras. Desse montante, a concentração direcionada à fabricação de ímãs permanentes fica entre 1,3% e 1,6%, englobando elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio.
Esses componentes são vitais para a montagem de motores elétricos, turbinas eólicas e diversos equipamentos de alta tecnologia. O levantamento técnico foi estruturado a partir de um modelo geológico que consolidou informações de furos de sondagem históricos e recentes, acumulando milhares de metros perfurados, além de amostras geoquímicas e análises geofísicas.
Estrutura e sondagens do projeto
Do total de material mapeado, a porção sustentada diretamente por sondagens atinge entre 5,2 milhões e 6,4 milhões de toneladas. O restante do volume refere-se a uma extensão projetada para áreas ainda não perfuradas, concentradas principalmente na zona sul do depósito mineral.
A companhia ressalta que os dados atuais possuem caráter conceitual e ainda não configuram uma estimativa formal de recursos ou reservas minerais. Novas etapas de perfuração serão fundamentais para atestar a continuidade da mineralização e dimensionar com precisão o potencial econômico do empreendimento mineiro.
Além disso, furos diamantados concluídos recentemente ainda aguardam o retorno de laudos laboratoriais. A empresa pondera que esses resultados complementares poderão influenciar os volumes e teores estimados para o empreendimento mineiro, tanto para cima quanto para baixo.
Próximos passos da exploração
Atualmente, a empresa mantém sondas em operação contínua no Morro do Ferro, como parte de um programa que prevê dezenas de furos diamantados e milhares de metros perfurados. Os trabalhos visam checar a profundidade da mineralização e testar os limites projetados na porção sul.
A expectativa da companhia é concluir as análises laboratoriais pendentes, avançando com novas etapas de sondagem e testes metalúrgicos. A meta corporativa é viabilizar a primeira estimativa oficial de recursos minerais entre o final deste ano e o primeiro trimestre de 2027.
O empreendimento também obteve recentemente o status de projeto prioritário junto ao governo estadual mineiro. Com isso, o processo de licenciamento ambiental passou a contar com um rito especializado na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com suporte técnico da Fundação Estadual do Meio Ambiente.
Expectativa de produção comercial
Localizado a cerca de 13 quilômetros a sudeste de Poços de Caldas, o projeto ocupa uma área de aproximadamente 300 hectares. A iniciativa é tratada como prioridade máxima da companhia no Brasil, com projeções que indicam o início da produção comercial entre 2030, em um cenário otimizado, e 2032, em uma perspectiva mais conservadora.
A estratégia corporativa também envolve estreitar laços com o mercado financeiro e governamental dos Estados Unidos. O objetivo é posicionar a operação mineira como um fornecedor alternativo para as cadeias ocidentais de minerais críticos, diminuindo a dependência global concentrada na China.
Avanços na cadeia global
O avanço das pesquisas em Minas Gerais ganha relevância em meio aos esforços internacionais para diversificar o fornecimento de insumos essenciais para a transição energética. A demanda crescente por tecnologia verde pressiona por novas fontes fora dos grandes monopólios tradicionais de refino e extração.
Especialistas apontam que a consolidação de reservas na América Latina pode redesenhar o mapa geopolítico dos insumos minerais na próxima década. A aproximação com mercados ocidentais reforça o caráter estratégico de jazidas não exploradas na região sul-mineira.
Com os cronogramas de sondagem em ritmo acelerado, a mineradora busca cumprir os padrões internacionais de reporte para atrair novos investimentos globais. O licenciamento especializado em âmbito estadual deve dar celeridade às etapas exigidas pelo setor.


