Raquel Lyra e João Campos empatam tecnicamente em Pernambuco, diz Quaest

Diferença entre a governadora e o ex-prefeito do Recife caiu de seis para dois pontos percentuais no primeiro turno; levantamento ouviu 1.302 eleitores

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Redação
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A governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife João Campos lideram as intenções de voto em Pernambuco na disputa pelo governo estadual.
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A disputa pelo governo de Pernambuco registrou uma nova contração na vantagem da liderança, conforme aponta a pesquisa do instituto Quaest divulgada nesta quarta-feira (23/9). A governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a recondução ao cargo, aparece com 41% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) registra 39%. Com o resultado, ambos os principais concorrentes ao Palácio do Campo das Princesas encontram-se em situação de empate técnico, considerando a margem de erro oficial de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento anterior da mesma empresa, divulgado no dia 8 de setembro, apontava a atual chefe do Executivo estadual com 43% da preferência do eleitorado, ao passo que o socialista contabilizava 37%. Dessa maneira, a distância numérica entre os dois principais postulantes ao governo pernambucano recuou de seis pontos percentuais para apenas dois pontos na nova medição. A margem estatística e o nível de confiança fixado em 95% mantêm o cenário de polarização acentuada no estado para a corrida eleitoral.

A diferença numérica entre os dois principais candidatos caiu de seis para dois pontos percentuais em poucas semanas.

A coleta dos dados ocorreu entre os dias 19 e 22 de setembro, período imediatamente posterior à repercussão nacional e estadual de uma declaração polêmica da governadora envolvendo um procedimento médico. Durante a gravação de uma visita institucional ocorrida em 2025 em Garanhuns, no Agreste pernambucano, Raquel Lyra sugeriu a realização de uma laqueadura sem o consentimento da paciente. O episódio gerou forte repercussão pública, críticas de opositores e um pedido formal de desculpas publicado pela própria governadora em suas redes sociais oficiais.

Detalhar cenários do primeiro turno

Na sondagem estimulada para a primeira etapa do pleito estadual, a distribuição dos demais nomes aponta índices secundários de intenção de voto entre os eleitores pernambucanos. O candidato Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) pontuam com 1% cada um na preferência registrada pelo instituto de pesquisa. Por sua vez, a Professora Camila (UP), Victor Assis (PCO) e Guilherme Fonseca (PSTU) aparecem com 0% das menções no levantamento oficial.

O grupo de eleitores que se declara indeciso totaliza 12% do total de entrevistados, mantendo o mesmo patamar da rodada anterior da pesquisa. Já os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que afirmam não comparecer às urnas somam 6%, também repetindo a proporção registrada no início do mês de setembro. A estabilidade nesses extratos indica que a oscilação principal ocorreu em uma troca direta de apoios entre os dois polos da disputa.

A pesquisa foi contratada pelo Grupo Globo e devidamente registrada na Justiça Eleitoral sob o número de identificação PE-05671/2026. No total, o instituto ouviu 1.302 eleitores distribuídos por todas as regiões do estado para captar o termômetro atual das intenções de voto, refletindo o impacto dos recentes acontecimentos políticos na percepção do eleitorado pernambucano.

Simular eventual segundo turno

Em uma simulação de segundo turno entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos, o levantamento da Quaest também detecta um cenário de empate técnico estrito dentro da margem de erro. A mandatária do estado aparece com 43% das intenções de voto, enquanto o principal adversário acumula 41% da preferência do eleitorado pernambucano consultado durante a pesquisa.

Na rodada anterior do levantamento, a vantagem da atual chefe do Executivo era um pouco mais ampla, marcando 45% contra 39% do representante do PSB. Com a variação observada, a distância entre os dois nomes na hipótese de um confronto direto passou de seis para apenas dois pontos percentuais, espelhando a mesma tendência de acirramento verificada na etapa inicial da votação.

O índice de eleitores indecisos para o segundo turno manteve-se estável em 10%, repetindo o percentual medido na pesquisa publicada no início do mês. Os votos em branco, nulos ou a abstenção declarada somam 6% do total de entrevistas, mantendo exatamente o mesmo patamar do levantamento anterior realizado pelo instituto.

Analisar repercussão de fala

A retração na vantagem da governadora ocorre em um momento de intenso debate político no estado, impulsionado pela repercussão de um vídeo institucional gravado em 2025. Na ocasião, durante a entrega de uma unidade de saúde no município de Garanhuns, a governadora sugeriu o encaminhamento de uma mulher para procedimento de laqueadura sem o seu próprio consentimento explícito, o que provocou forte reprovação em diversos setores sociais.

Após a viralização e a cobertura do caso pela imprensa, Raquel Lyra utilizou suas plataformas digitais para emitir um pedido público de desculpas, admitindo o equívoco na formulação da frase durante o evento oficial. A retratação pública buscou conter o desgaste político gerado pela declaração perante o eleitorado feminino e entidades de defesa dos direitos das mulheres no estado de Pernambuco.

O episódio passou a ser explorado diretamente pelos adversários políticos na corrida eleitoral. Durante ato público voltado ao público feminino realizado no Recife na última terça-feira (22), João Campos criticou publicamente a postura da governadora e defendeu de forma enfática a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo, mantendo o tema em evidência na agenda política local.

Contextualizar disputa estadual

A corrida pelo governo de Pernambuco consolida-se como uma das mais competitivas do cenário nacional para o pleito atual. A governadora Raquel Lyra assumiu a administração estadual com o desafio de reestruturar as contas públicas e consolidar sua base política, buscando agora a renovação de seu mandato pelo PSD após romper com antigas estruturas tradicionais da política local.

Do outro lado, João Campos construiu forte capital político a partir de sua gestão à frente da Prefeitura do Recife, onde obteve altos índices de aprovação popular e liderou uma ampla aliança partidária sob a legenda do PSB. A transição do ex-prefeito para a disputa estadual colocou o grupo socialista em rota de colisão direta com a atual gestão do Palácio do Campo das Princesas.

Os próximos dias de campanha devem intensificar a disputa nos palanques e nas redes sociais, com foco na conquista dos eleitores indecisos e na mitigação dos impactos causados por crises recentes. Analistas políticos apontam que a margem estreita de dois pontos percentuais transforma cada ato de campanha e cada debate em um fator potencialmente decisivo para a definição do vencedor no estado.

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