Um menino de apenas oito anos de idade evitou um desfecho ainda mais trágico para sua família ao acionar a Polícia Militar durante uma tentativa de feminicídio na Lapa, zona oeste de São Paulo. A ocorrência foi registrada nesta quarta-feira (23/9), quando o suspeito, de 36 anos, atacou a companheira com um golpe de faca na região da barriga. O crime foi presenciado diretamente pelos quatro filhos do casal, sendo a criança a mais velha entre os irmãos.
Diante da gravidade da situação e do desespero no ambiente doméstico, o menino tomou a iniciativa de ligar para o número de emergência 190. A chamada mobilizou equipes do 4º Batalhão de Polícia Militar, que se deslocaram rapidamente para o endereço indicado para prestar socorro à vítima e resguardar os menores de idade, encontrados em uma marcenaria e na residência da família.
Criança entrega arma do crime
Ao chegarem ao local indicado pela ligação, os policiais militares encontraram a mulher ferida e debilitada, acompanhada pelas crianças que presenciaram a agressão. O menino de oito anos entregou aos agentes o celular utilizado para fazer a chamada de socorro e também a faca empregada pelo agressor no ataque.
A atuação do garoto foi determinante para que a corporação iniciasse os procedimentos de salvamento de imediato. Enquanto parte da equipe prestava atendimento médico inicial à vítima e acalmava os irmãos, outros policiais iniciaram as diligências para localizar o suspeito, que havia fugido da residência logo após cometer o ato violento.
A coragem demonstrada pela criança durante o atendimento gerou forte comoção entre os agentes de segurança pública envolvidos na ocorrência. Os policiais destacaram a maturidade do menino ao fornecer informações precisas e entregar o artefato utilizado na violência doméstica.
PM localiza e prende agressor
As buscas realizadas pela corporação na região resultaram na localização do suspeito momentos após o crime. De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades policiais, o homem de 36 anos apresentava sinais evidentes de embriaguez no momento em que foi encontrado pelas equipes.
Quando chegamos, já socorremos a mãe, e essa criança veio se apresentar. O menino nos mostrou o celular que usou para ligar para o 190 e a faca usada pelo pai, que foi apreendida.”
Cabo Marcelo Florio
Durante a abordagem para a efetivação da prisão em flagrante, o indivíduo ofereceu forte resistência para entrar no compartimento de presos da viatura policial. Para conter a reação violenta do suspeito, os agentes precisaram fazer o uso de equipamento de choque do tipo taser.
Após a contenção e a formalização da prisão, o homem foi conduzido sob escolta para a 3ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A unidade especializada assumiu as investigações do caso para apurar todos os detalhes da tentativa de feminicídio e garantir a responsabilização penal cabível.
Rede de proteção e investigações
Os casos de violência doméstica e tentativa de feminicídio no estado de São Paulo recebem tratamento prioritário e são investigados pelas Delegacias de Defesa da Mulher. A estrutura conta com o suporte contínuo do canal de emergência 190, ferramenta essencial para o acionamento rápido das forças de segurança em situações de risco iminente.
A rede de proteção local prestou o apoio necessário às crianças que testemunharam a violência extrema dentro do próprio lar. O estado de saúde atualizado da vítima após o socorro hospitalar não foi detalhado pelas autoridades nos registros policiais iniciais divulgados sobre o caso.
Especialistas em segurança pública reforçam a importância de canais de atendimento ágeis e da conscientização sobre a gravidade da violência de gênero. A atuação do menino na Lapa evidenciou como a resposta imediata pode interromper ciclos de agressão e preservar vidas em ambientes familiares vulneráveis.
Atuação coordenada da polícia
A resposta operacional da corporação envolveu equipes táticas e de patrulhamento de área para garantir a segurança da vítima e o cerco ao suspeito. O trabalho integrado permitiu a captura do agressor em curto espaço de tempo após o acionamento via central de emergência.
A corporação reforçou que o suporte psicológico inicial foi prestado às crianças no local da ocorrência pelos próprios policiais militares. A prioridade imediata consistiu em afastar os menores do cenário de violência e estabilizar a situação sanitária da mãe ferida.
O inquérito policial instaurado na 3ª DDM prossegue agora com a oitiva de testemunhas e a juntada dos laudos periciais definitivos. O procedimento visa consolidar as provas materiais da tentativa de homicídio qualificado no âmbito da violência doméstica.


