A corrida pelo governo de Minas Gerais intensificou o embate político entre o grupo de Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Após um período de especulações sobre uma possível aproximação, a relação entre os principais concorrentes ao Palácio Tiradentes deu lugar a críticas públicas mútuas durante debates recentes na televisão.
As divergências ganharam força em eventos transmitidos por emissoras estaduais, onde os candidatos passaram a questionar abertamente as escolhas de palanque e as companhias políticas de seus adversários. Enquanto o cenário eleitoral avança para definições mais claras, temas sensíveis como investigações federais e a gestão de incentivos fiscais entram no centro das discussões no estado.
Debates acirram críticas partidárias
Durante o debate promovido pela Record Minas, Mateus Simões criticou de forma direta as escolhas políticas do senador Cleitinho Azevedo. O candidato do PSD afirmou que o parlamentar havia escolhido as piores pessoas para compor seu entorno, mencionando nominalmente o deputado federal Euclydes Pettersen, que exerce a função de presidente estadual do Republicanos.
A mesma tônica já havia sido adotada dias antes, após o encontro promovido pela TV Alterosa. Na ocasião, Simões questionou publicamente os critérios do adversário ao formar suas alianças políticas no estado. As declarações marcaram uma guinada na postura adotada na pré-campanha, substituindo a cautela anterior por confrontos diretos sobre os apoios recebidos por Cleitinho.
Em meio às críticas públicas, a figura de Euclydes Pettersen passou a ser explorada no debate político estadual. O dirigente partidário e deputado federal figura como alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal relacionadas ao caso de descontos indevidos no âmbito do INSS. A defesa do parlamentar sustenta a inocência do político e nega qualquer envolvimento com irregularidades apontadas na apuração federal.
Oposição cobra histórico político
A ofensiva de Mateus Simões contra os aliados do adversário acabou por atrair holofotes para as próprias relações mantidas pelo candidato do PSD. Durante a solenidade de posse realizada em março, Simões se referiu publicamente ao ex-governador Eduardo Azeredo como um amigo pessoal e próximo de sua família, resgatando um nome com forte histórico político e judicial no estado.
Eduardo Azeredo acumulou condenações no processo conhecido publicamente como mensalão mineiro, respondendo judicialmente por crimes de peculato e lavagem de dinheiro. O caso passou por diversas instâncias até que, no ano de 2021, o Supremo Tribunal Federal determinou o envio definitivo dos autos para a Justiça Eleitoral de Minas Gerais.
A lembrança desse vínculo na trajetória do atual grupo governista é frequentemente utilizada por adversários para contrapor as críticas feitas às alianças do Republicanos. O debate sobre a idoneidade de apoios e passado político tornou-se, assim, um dos principais eixos de atrito na corrida pelo governo mineiro.
Governo propõe revisão tributária
Além das discussões sobre alianças partidárias, a gestão de regimes especiais de tributação ganhou espaço na pauta legislativa e na disputa eleitoral. O governo estadual encaminhou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais um projeto de lei com dispositivos que permitem reduzir, cassar ou extinguir incentivos fiscais concedidos a determinados setores.
A pauta tributária já mobilizava os parlamentares no Legislativo estadual devido a requerimentos aprovados por comissões temáticas. Em maio, a Comissão de Administração Pública aprovou pedidos de informação para detalhar isenções e recuperações fiscais concedidas a empresas com vínculos familiares específicos, ampliando a pressão sobre a política de benefícios do estado.
Os questionamentos no Parlamento miram diretamente dados de empresas associadas a nomes centrais do empresariado investigado no estado. A cobrança por transparência fiscal e o cruzamento de dados de beneficiários com doadores de campanha passaram a ser utilizados pela oposição como instrumentos de pressão política contra a atual administração.
Assembleia investiga isenções fiscais
As apurações em curso na Assembleia Legislativa envolvem diretamente requerimentos direcionados a órgãos de controle e secretarias de Estado. Entre as iniciativas formalizadas destaca-se o requerimento que solicita informações pormenorizadas sobre regimes especiais concedidos a empresas ligadas a Daniel Vorcaro, além de familiares como Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro.
Esses nomes figuram com destaque nas investigações decorrentes do chamado caso Master, o que gerou repercussão imediata nos bastidores da política mineira. Os parlamentares buscam mensurar os valores exatos envolvidos nas isenções concedidas ao longo dos últimos anos, exigindo relatórios detalhados da Secretaria de Fazenda do Estado.
A estratégia da oposição no Legislativo visa conectar os benefícios tributários concedidos a grandes contribuintes com as redes de financiamento político. A exigência de esclarecimentos detalhados sobre o tema reforça o clima de polarização institucional na reta decisiva que antecede o pleito estadual.
Tribunal analisa cruzamento de dados
Outro desdobramento institucional do caso tramita no Tribunal de Contas de Minas Gerais por meio de solicitação formalizada no primeiro semestre. O requerimento encaminhado à corte de contas exige a realização de auditorias e o cruzamento de informações entre as empresas beneficiadas por isenções e os doadores de campanhas políticas.
O documento pede que o órgão fiscalizador verifique se há coincidências diretas entre os sócios das companhias que receberam regimes especiais de tributação e os financiadores de campanhas de partidos como o PSD e o partido Novo. Entre as autoridades nominalmente citadas nos pedidos de apuração estão o governador Romeu Zema e o próprio Mateus Simões.
Até o fechamento dos balanços periódicos sobre o caso, o Tribunal de Contas não havia emitido uma resposta pública conclusiva sobre os pedidos de cruzamento de dados. A ausência de um posicionamento definitivo do órgão mantém o tema em aberto, alimentando embates retóricos entre os candidatos ao governo nas sabatinas e debates.
Eleição intensifica embates em Minas
A proximidade do pleito e a definição das chapas majoritárias consolidaram um cenário de forte polarização entre os principais concorrentes ao governo mineiro. A estratégia de expor fragilidades judiciais de aliados e questionar a concessão de benesses fiscais demonstra que a campanha caminha para um nível elevado de confrontação direta.
Analistas políticos apontam que a tentativa de descolar a imagem de aliados sob escrutínio policial é um dos principais desafios para as campanhas de Simões e Cleitinho. Enquanto o candidato governista tenta colar a pecha de más escolhas ao senador oponente, a oposição devolve as críticas cobrando explicações sobre o passado de figuras ligadas à base governista.
Com os debates televisivos e as investigações em andamento ganhando o noticiário diário, a corrida eleitoral em Minas Gerais caminha para se definir não apenas com base em propostas administrativas, mas sob o peso de alianças partidárias, histórico judicial e o escrutínio sobre o uso de recursos públicos e incentivos fiscais.


