María Corina Machado é barrada ao tentar retornar à Venezuela

Liderança opositora enfrentou novos bloqueios em rotas aéreas e marítimas enquanto Delcy Rodríguez se reunia com Donald Trump em Nova York.

Da
Redação
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A líder opositora María Corina Machado teve novas tentativas de retorno à Venezuela bloqueadas.
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A principal figura da oposição venezuelana, María Corina Machado, enfrentou novos obstáculos nesta terça-feira (22) ao tentar retornar ao seu país de origem. Segundo informações confirmadas por sua equipe, a opositora foi impedida em três ocasiões distintas ao longo do dia, acumulando novas tentativas frustradas de reingresso desde que passou a viver no exterior após deixar o território venezuelano em dezembro.

As barreiras recentes envolveram restrições operacionais em rotas aéreas e marítimas nas últimas semanas. O cerco imposto ao retorno de Machado coincide com uma série de movimentações diplomáticas cruciais em solo norte-americano, marcadas pela presença da presidente interina Delcy Rodríguez em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Machado, uma antiga crítica do governo de Nicolás Maduro, havia deixado a Venezuela para receber o Prêmio Nobel da Paz, na Noruega, após passar mais de um ano escondida. Enquanto isso, Maduro permanece preso em Nova York, onde aguarda julgamento por acusações relacionadas a tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção após ser capturado por forças norte-americanas.

Encontro entre Trump e Delcy Rodríguez marca agenda em Nova York

Enquanto a opositora busca uma brecha para voltar ao país, a cúpula do governo interino venezuelano consolidou sua primeira agenda oficial nos Estados Unidos. A presidente interina Delcy Rodríguez reuniu-se com o presidente norte-americano Donald Trump na noite desta terça-feira, à margem da Assembleia Geral da ONU.

O encontro informal ocorreu durante uma recepção oferecida pelo líder republicano e marcou a primeira viagem de Rodríguez aos Estados Unidos desde que assumiu o cargo. A delegação venezuelana incluiu o vice-presidente de Economia, o ministro do Petróleo e funcionários da estatal PDVSA, concentrados em atrair investimentos estrangeiros.

Delcy Rodríguez não nasceu em 3 de janeiro de 2026. Delcy Rodríguez está com a ditadura chavista há mais de 20 anos. Ela tem sido cúmplice.”

César Coello

Rodríguez classificou a reunião como um passo histórico para o fortalecimento das relações bilaterais nas áreas de energia, mineração e segurança. O governo norte-americano tem apoiado a gestão interina desde a operação que removeu Nicolás Maduro do poder em janeiro deste ano.

Acordo petrolífero e metas de investimentos movimentam negociações

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump chamou Maduro de ditador fora da lei e defendeu a operação militar como demonstração de proteção aos interesses norte-americanos. O republicano também mencionou o acordo petrolífero assinado com Caracas no mês passado.

Trump afirmou que pretende atrair US$ 100 bilhões em investimentos para a indústria petrolífera da Venezuela. A delegação liderada por Rodríguez tem mantido conversas com autoridades americanas, instituições financeiras multilaterais e empresas privadas para debater energia, mineração e dívida externa.

Em paralelo, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento trabalha para garantir a aprovação de um empréstimo de US$ 2,5 bilhões voltado para o país sul-americano. A iniciativa, no entanto, ainda enfrenta resistência de alguns integrantes do conselho da instituição financeira.

Manifestantes protestam contra a presença da presidente interina em Nova York

Fora dos círculos diplomáticos oficiais, a presença da delegação venezuelana gerou protestos na cidade norte-americana. Mais de 50 manifestantes reuniram-se na manhã desta terça-feira em frente à sede da ONU com bandeiras da Venezuela e cartazes críticos ao atual governo interino.

Os participantes cobraram pressões por eleições livres no país e entoaram palavras de ordem contra autoridades do atual arranjo político. Muitos manifestantes expressaram frustração com a reaproximação entre Washington e membros que integraram a cúpula chavista por mais de duas décadas.

Os atos refletem a divisão de opiniões entre os expatriados venezuelanos sobre os rumos da transição política. Enquanto alguns veem nas articulações internacionais um caminho para a redemocratização, outros cobram punições severas e renovação completa na liderança estatal.

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