Delcy Rodríguez busca reunião com Brasil na ONU, mas governo ignora pedido

Líder interina da Venezuela solicitou encontro bilateral em Nova York há mais de uma semana, porém Missão brasileira ainda não deu resposta formal.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
4 min leitura
Sede da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, onde delegações de diversos países participam de reuniões e articulações diplomáticas.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O regime de Delcy Rodríguez, da Venezuela, solicitou formalmente há mais de uma semana uma reunião com o Brasil no âmbito da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. A viagem da líder interina ao território norte-americano ocorreu a convite do presidente Donald Trump, cujo governo passou a exercer forte tutela sobre a administração de Caracas após a captura de Nicolás Maduro em janeiro deste ano.

O pedido oficial de encontro bilateral foi enviado pela equipe venezuelana diretamente à Missão do Brasil na Organização das Nações Unidas. Fontes diplomáticas confirmam que a chancelaria brasileira não apresentou qualquer sinalização de resposta formal ao longo dos últimos dias, mantendo o pleito sem definição.

Agenda em Nova York e Viagem de Lula

Durante as articulações iniciais, o nível exato da conversa pretendida pela delegação venezuelana — se direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira — permaneceu em aberto. Um encontro direto com o chefe do Executivo brasileiro, no entanto, tornou-se inviável devido à agenda oficial.

O presidente Lula deixou Nova York na manhã de terça-feira e embarcou de volta ao Brasil, encerrando sua participação nos eventos da ONU. Por outro lado, o ministro Mauro Vieira permaneceu na cidade norte-americana para cumprir outros compromissos de sua agenda diplomática, assim como o chanceler venezuelano Félix Plasencia.

Relação Bilateral e Declarações Recentes

A relação diplomática entre Brasília e Caracas sofreu fortes abalos desde o pleito presidencial de 2024, quando o governo brasileiro cobrou repetidamente a publicação das atas eleitorais da votação que proclamou Maduro. Apesar da ajuda humanitária enviada pelo Brasil após os terremotos deste ano, o canal político permanece fragilizado.

Em entrevista recente concedida a uma rede internacional durante sua passagem pelos Estados Unidos, o presidente Lula afirmou que Washington atua na prática como superior da atual mandatária venezuelana. Na ocasião, o líder brasileiro também sugeriu a convocação de novas eleições para que a população local possa escolher seus governantes.

Tutela Norte-Americana e Retorno ao Exterior

Desde a mudança de comando em Caracas no início do ano, o governo interino tem recuperado espaço expressivo em fóruns multilaterais e atraído investimentos bilionários de empresas estrangeiras para o setor petrolífero local. A reabilitação internacional ocorre sob a forte influência da administração norte-americana.

Durante sua estadia em Nova York, o presidente brasileiro limitou sua agenda oficial a três reuniões bilaterais, recebendo ao mesmo tempo dezenas de convites de líderes internacionais que participavam das discussões na sede da Assembleia-Geral da ONU.

Perspectivas da Diplomacia Brasileira

O silêncio da chancelaria brasileira diante da investida diplomática de Caracas evidencia o distanciamento estratégico entre os dois governos na atual conjuntura regional. A falta de resposta oficial da Missão do Brasil consolida o impasse nas negociações bilaterais durante o evento internacional.

Enquanto a delegação venezuelana busca ampliar sua interlocução com vizinhos sul-americanos, o governo brasileiro mantém cautela diante do cenário político imposto pela tutelagem externa em curso na Venezuela desde os episódios de janeiro.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *