O governo de Israel, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, lançou uma ofensiva digital na véspera do pronunciamento oficial do premiê na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Utilizando inteligência artificial, a administração israelense divulgou um material audiovisual que retrata críticos internacionais e o próprio organismo internacional como papagaios. A estratégia ocorre em um momento de forte pressão diplomática em Nova York, impulsionada por discursos contundentes de líderes globais sobre a situação na Faixa de Gaza.
Governo israelense usa IA
A campanha digital foi batizada de “The UN’s Lie Industry”, expressão traduzida como “A Indústria de Mentiras da ONU”. A iniciativa é uma parceria oficial entre o Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo e a estrutura administrativa do gabinete do primeiro-ministro israelense.
No conteúdo gerado por computador, aves ocupam o tradicional púlpito do plenário da Assembleia Geral e repetem exaustivamente a frase “Blame Israel”, que significa “Culpe Israel”. À medida que a gravação se desenvolve, novos pássaros entram na cena e engrossam o coro repetitivo.
A peça publicitária digital é encerrada com uma tarja contendo a mensagem de que a repetição constante de uma inverdade não a transforma em fato. A administração de Netanyahu acusa regularmente agências e instâncias da ONU de manterem um viés sistemático contra o Estado israelense nas resoluções e debates globais.
Líderes criticam atuação
O lançamento da campanha coincide com o debate de alto nível em Nova York, onde diversos chefes de Estado e de governo aproveitaram a tribuna para condenar a condução militar de Israel nos territórios palestinos. As críticas centralizaram os debates nas instâncias diplomáticas.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva utilizou seu tempo de palavra para condenar a ofensiva militar. Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma provocados pelo que classificou como genocídio praticado pela gestão de Benjamin Netanyahu contra crianças e mulheres encurraladas no enclave de Gaza.
Em paralelo, o presidente da França, Emmanuel Macron, cobrou abertamente a abertura imediata de corredores e caminhos seguros para garantir o fluxo de ajuda humanitária à população civil afetada na Faixa de Gaza, somando-se ao coro de cobranças internacionais.
Netanyahu discursa na ONU
A expectativa diplomática volta-se agora para o pronunciamento oficial de Benjamin Netanyahu, cuja fala na Assembleia Geral da ONU em Nova York está agendada para esta quinta-feira. O primeiro-ministro prometeu rebater as acusações e defender a atuação de suas forças armadas.
Nos dias anteriores ao seu pronunciamento na tribuna principal, o chefe de governo israelense já havia utilizado suas redes sociais para rebater adversários políticos e autoridades locais. Em uma das postagens, o premiê criticou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
Na ocasião, Netanyahu acusou o gestor municipal norte-americano de apoiar organizações extremistas e de supostamente incentivar tumultos contra comunidades judaicas na cidade americana, sinalizando o tom de confronto que deve marcar sua passagem pelos Estados Unidos.
Geopolítica intensifica atritos
A escalada de atritos entre o governo de Israel e os organismos das Nações Unidas tem se aprofundado de maneira consistente desde o desencadeamento do conflito na Faixa de Gaza. Agências humanitárias relatam repetidamente uma crise sem precedentes na região.
Enquanto autoridades israelenses buscam desqualificar relatórios e cobranças internacionais por meio de forte presença em redes sociais e campanhas digitais, a comunidade global pressiona por cessar-fogo e maior proteção aos civis palestinos presos no fogo cruzado.
O uso de ferramentas tecnológicas de inteligência artificial para produzir peças de propaganda política marca uma nova etapa na comunicação estratégica do governo israelense, evidenciando a disputa narrativa travada nos fóruns multilaterais e na internet.


