Netanyahu chama prefeito de NY de aliado do Hamas antes de ir à ONU; americano rebate

Primeiro-ministro de Israel divulgou vídeo contra Zohran Mamdani, que rebateu chamando o premiê de criminoso de guerra por conta de mandado do TPI.

Da
Redação
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em viagem oficial.Reuters
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Às vésperas de sua viagem para a Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, intensificou os ataques políticos contra o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O atrito escalou após o líder israelense publicar um vídeo nas redes sociais acusando o dirigente municipal de apoiar o Hamas e de incentivar manifestações hostis contra a comunidade judaica na cidade norte-americana.

A viagem do premiê tem como principal objetivo o discurso oficial na sede da ONU, agendado para esta quinta-feira (24). No entanto, o clima de tensão institucional antecipa protestos expressivos nas ruas de Nova York e recoloca em evidência o histórico de confrontos públicos entre as duas lideranças políticas, cuja rivalidade já havia sido explorada anteriormente em campanhas eleitorais.

Premiê acusa prefeito nas redes

Na gravação divulgada na última terça-feira (22), Netanyahu utilizou tom severo ao direcionar críticas diretas à administração municipal de Nova York. O primeiro-ministro afirmou que sua ida aos Estados Unidos servirá para defender a atuação militar israelense e rebater o que classificou como ataques injustificados de autoridades locais.

As divergências entre Netanyahu e Mamdani não são recentes e vêm de longa data. Durante disputas políticas anteriores em Israel, a imagem do prefeito norte-americano chegou a ser instrumentalizada em peças de campanha do partido governista para mobilizar eleitores em torno de discursos nacionalistas e de segurança externa.

A nova rodada de declarações públicas aprofunda o abismo diplomático e político entre o governo de Israel e a prefeitura da maior cidade dos Estados Unidos. Analistas apontam que a retórica acirrada serve tanto para consolidar bases internas quanto para polarizar o debate internacional antes do pronunciamento na Assembleia Geral.

Mamdani rebate e cita TPI

Durante uma entrevista coletiva convocada para responder às acusações, Zohran Mamdani negou categoricamente as declarações divulgadas pelo premiê israelense. O prefeito classificou o conteúdo do vídeo como infundado e transferiu o foco para a situação jurídica internacional do líder de Israel.

O que sabemos ser a verdade, de fato, em relação ao primeiro-ministro, é que ele é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade.”

Zohran Mamdani

Em sua resposta, Mamdani chamou Netanyahu de criminoso de guerra e mencionou explicitamente o mandado de prisão emitido contra ele. O prefeito sustentou que a atuação do governo israelense no conflito de Gaza configura graves violações aos direitos humanos e ao direito internacional.

Apesar da retórica dura adotada nos últimos dias, o chefe do executivo municipal de Nova York reconheceu publicamente que sua gestão não possui competência jurídica nem autoridade legal para efetuar a prisão do premiê durante sua estada em solo norte-americano.

Mandato do Tribunal Penal

O pano de fundo jurídico da controvérsia envolve as ordens de captura expedidas pelo Tribunal Penal Internacional contra principais lideranças de Israel. Os mandados foram oficializados em 2024 no âmbito de investigações sobre crimes contra a humanidade decorrentes das operações militares em curso.

Contudo, a efetivação dessas ordens enfrenta barreiras diplomáticas intransponíveis nos Estados Unidos. O governo norte-americano não é signatário do tratado constitutivo do tribunal e já reiterou formalmente que não cumprirá mandados emitidos pela corte internacional contra aliados estratégicos.

Essa posição geopolítica tradicional de Washington garante imunidade prática a líderes estrangeiros aliados em visitas oficiais ao território nacional, blindando autoridades de cumprimentos de mandados judiciais estrangeiros ou supranacionais enquanto estiverem em missão diplomática no país.

Protestos cercam a ONU

A chegada prevista de Benjamin Netanyahu a Nova York para a Assembleia Geral da ONU movimenta forças de segurança locais e organizações civis. O evento internacional atrai tradicionalmente manifestantes de diversas correntes políticas, mas o histórico recente de embates entre o premiê e a prefeitura eleva o risco de tumultos.

Autoridades policiais de Nova York preparam esquemas especiais de policiamento para conter possíveis distúrbios nas imediações da sede das Nações Unidas e em pontos estratégicos da metrópole. A gestão municipal reiterou que garantirá o direito à livre manifestação pacífica.

Enquanto o primeiro-ministro israelense prepara sua tribuna para rebater críticas internacionais e defender as ações de seu governo, o cenário político local permanece polarizado pelas reações severas de lideranças municipais e grupos de direitos humanos mobilizados na cidade.

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