O treinador da equipe de reservas do Columbus Crew, Federico Higuaín, foi demitido após cometer atos de intimidação física e fazer um comentário sexista direcionado a uma árbitra ao término de uma partida oficial nos Estados Unidos.
O episódio ocorreu no momento do cumprimento tradicional pós-jogo, quando o técnico argentino segurou a mão da oficial por um período prolongado, recusando-se a soltar após pedidos, e disparou a frase ofensiva afirmando que a partida tratava-se de um jogo de homens.
Punição inicial gera críticas
Diante do comportamento inadequado em campo, o treinador recebeu um cartão vermelho e foi inicialmente punido pela liga com uma suspensão de apenas dois jogos. A medida branda adotada pela organização da competição gerou forte repercussão negativa imediata nos bastidores do esporte norte-americano.
A Associação Profissional de Árbitros de Futebol manifestou publicamente seu descontentamento com a sanção aplicada, classificando-a como insuficiente diante da gravidade da conduta. A entidade destacou que a intimidação física foi agravada por uma declaração publicamente degradante contra a profissional de arbitragem.
Além disso, a organização sindical ressaltou a importância fundamental da presença feminina no esporte. A nota oficial enfatizou que as mulheres que atuam na arbitragem merecem exatamente o mesmo nível de respeito, dignidade e segurança no ambiente de trabalho que qualquer outro profissional da categoria.
Clube decide rescindir contrato
Apesar da penalidade esportiva inicial aplicada pela liga, a diretoria do Columbus Crew avaliou que a permanência do profissional era insustentável. A cúpula da franquia optou pela rescisão contratual imediata para proteger a imagem institucional e o ambiente interno de trabalho.
O diretor-geral da franquia norte-americana, Issa Tall, assumiu a responsabilidade pelo comunicado oficial que confirmou o desligamento do técnico. O dirigente declarou que a decisão foi tomada exclusivamente pensando nos melhores interesses do clube, dos atletas e de toda a comissão técnica envolvida.
Segundo a avaliação institucional divulgada pela diretoria, os padrões básicos de liderança e conduta ética esperados de um comandante esportivo não foram cumpridos pelo argentino. A cúpula entendeu que a postura apresentada entrava em conflito direto com os valores defendidos pela organização.
Recusa em pedir desculpas
Informações divulgadas pela imprensa norte-americana apontam que a decisão drástica da diretoria também foi motivada pela postura adotada pelo treinador nos bastidores após o apito final do confronto. Relatos jornalísticos indicam que o comandante demonstrou pouca empatia e arrependimento pelo ocorrido.
A emissora ESPN detalhou que o técnico argentino recusou veementemente a exigência de emitir um pedido formal e público de desculpas à árbitra atingida pela ofensa. A relutância em reconhecer o erro pesou fortemente na decisão dos dirigentes de encerrar o vínculo profissional.
A falta de retritatação pública bloqueou qualquer possibilidade de conciliação interna ou de preservação do cargo. A postura inflexível do treinador tornou insustentável a sua continuidade à frente do time de desenvolvimento da franquia da Major League Soccer.
Passagem e trajetória familiar
Federico Higuaín possui uma relação histórica com a franquia onde exercia a função técnica. Antes de iniciar sua carreira à beira dos gramados nas categorias de base e equipes reservas, o argentino acumulou uma trajetória de expressivo destaque atuando como atleta na principal liga de futebol dos Estados Unidos.
Após pendurar as chuteiras, o ex-meia iniciou sua transição para a comissão técnica, passando por estruturas de desenvolvimento de jovens atletas antes de assumir o cargo no Columbus Crew e também passagens pelo Inter Miami. Sua carreira como treinador, no entanto, sofre agora um forte revés disciplinar.
O profissional de 41 anos carrega ainda um sobrenome de peso no futebol internacional por ser irmão mais velho de Gonzalo Higuaín. O ex-atacante construiu uma carreira de grande projeção mundial, defendendo equipes de elite na Europa como Real Madrid, Napoli, Juventus e Milan, além da seleção argentina.


