Na ONU, Irã chama EUA de covardes e diz ser vítima de ataques

Durante a Assembleia Geral da ONU, Masoud Pezeshkian rebateu Donald Trump, afirmou que o país resiste à ofensiva e criticou o bombardeio de escolas e hospitais.

Da
Redação
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante seu pronunciamento na sede da ONU, em Nova York.
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (23/9), durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que o território iraniano é alvo de agressões e atua em legítima defesa. Na tribuna da entidade em Nova York, o mandatário respondeu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e rechaçou o rótulo de terrorista atribuído ao governo persa pelo líder norte-americano.

Durante o pronunciamento no segundo dia do principal colegiado da ONU, que reúne 193 estados-membros, o líder iraniano focou seu discurso nas consequências do conflito deflagrado no início do ano. O chefe de Estado iraniano destacou que a nação tem resistido a investidas militares de grande proporção conduzidas por potências estrangeiras na região.

Rebate a acusações

O representante do governo iraniano declarou categoricamente que o país atua em legítima defesa diante das ofensivas militares e rejeitou as acusações de que promov instabilities no Oriente Médio. Segundo ele, o histórico recente demonstra a postura defensiva da nação persa frente a pressões externas.

Pezeshkian argumentou que os Estados Unidos e Israel utilizam tecnologias avançadas em suas operações militares enquanto o povo iraniano resiste bravamente aos impactos da guerra. Ele enfatizou que a resposta militar de seu país ocorre estritamente no âmbito defensivo e sem direcionamento contra alvos civis.

O mandatário também pontuou que o governo norte-americano rotula arbitrariamente atores internacionais para deslegitimar posições contrárias aos seus interesses geopolíticos globais.

Críticas a bombardeios

O presidente do Irã denunciou o que classificou como violações flagrantes da legislação internacional durante os ataques recentes. Ele mencionou especificamente o bombardeio contra uma escola em Minab, tragédia que resultou na morte de centenas de estudantes no início do conflito atual.

O presidente dos EUA nos descreveu como terroristas. Nós somos vítimas do terrorismo. Nosso líder supremo foi assassinado sem nenhuma base legal.”

Masoud Pezeshkian

Em sua fala na tribuna, o líder iraniano questionou a inocência das vítimas atingidas e responsabilizou diretamente o armamento empregado pelas forças estrangeiras. Universidades, centros de saúde, escolas e hospitais figuram entre os locais que teriam sido alvejados pelas operações militares.

A denúncia incluiu ainda a citação ao assassinato do antigo líder supremo Ali Khamenei, ocorrido no final de fevereiro sem embasamento legal reconhecido pela administração iraniana.

Discurso de Trump

No mesmo fórum internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve o tom de pressão sobre Teerã e declarou que o país persa jamais deve obter armas nucleares. O chefe da Casa Blanca indicou abertura para negociações de paz, embora tenha mantido ameaças veladas ao governo do Irã.

A tensão diplomática ficou evidente durante o andamento da sessão plenária, marcada pela saída da delegação norte-americana do recinto enquanto o representante iraniano proferia seu discurso oficial na Assembleia Geral.

O evento na sede da ONU em Nova York segue reunindo líderes globais até o final de setembro para debates sobre segurança internacional e crises regionais em curso.

Contexto do conflito

A atual escalada bélica entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início em 28 de fevereiro, após uma série de ataques que atingiram o território persa e resultaram na morte de lideranças locais. A ofensiva desencadeou reações imediatas em toda a geopolítica do Oriente Médio.

Como medida de retaliação e resposta estratégica, o governo iraniano determinou o fechamento do Estreito de Ormuz, considerado a principal rota marítima global para o escoamento de petróleo bruto oriundo da região.

Além disso, bases militares dos Estados Unidos instaladas estrategicamente no entorno regional passaram a ser alvo de ataques deflagrados pelas forças de Teerã desde o início das hostilidades.

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