A formalização de empregadores e de trabalhadores por conta própria alcançou o maior percentual da série histórica no Brasil em 2025, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No entanto, o cenário ainda revela um grande volume de informalidade no mercado de trabalho nacional. Embora o índice de registro empresarial tenha avançado consideravelmente ao longo dos anos, a maioria dos profissionais desse segmento ainda atua sem o CNPJ em suas atividades diárias.
O levantamento aponta que o índice de trabalhadores com registro adequado chegou a 35% em 2025. Esse patamar representa um avanço expressivo na comparação com o início da série histórica, quando a proporção registrada era de 24%. De acordo com o IBGE, a alta demonstra uma mudança gradual no perfil dos trabalhadores autônomos e empregadores no país, impulsionada pela busca de segurança jurídica e acesso a benefícios previdenciários.
Apesar do recorde histórico na proporção de registros, a informalidade continua predominando entre esses profissionais. Os dados estatísticos revelam que 65% dos empregadores e trabalhadores por conta própria ainda não possuíam CNPJ no período analisado. Essa parcela expressiva evidencia os desafios estruturais persistentes na economia brasileira para a absorção completa dos trabalhadores em redes formais de proteção e tributação.
Mulheres lideram a busca por registro empresarial
As estatísticas detalhadas revelam que existem diferenças importantes nos índices de formalização conforme o perfil demográfico dos profissionais. As mulheres apresentam um patamar ligeiramente superior de formalização em comparação aos homens no mesmo segmento. Essa dinâmica reflete transformações na forma como as trabalhadoras gerem seus próprios negócios e buscam garantias laborais.
O levantamento do IBGE aponta que a taxa de formalização entre as mulheres atingiu 36,7% no período avaliado. Em contrapartida, o índice registrado entre os homens ficou em 34,2%. A diferença demonstra que o público feminino tem investido com maior intensidade na obtenção do CNPJ para estruturar suas atividades econômicas de forma regularizada.
Especialistas apontam que a busca por direitos previdenciários e linhas de crédito específicas para empresas costuma motivar essa formalização. A regularização facilita o acesso a serviços bancários essenciais para a sustentabilidade dos pequenos negócios comandados por mulheres em todo o território nacional.
Região Sul registra a maior taxa de cobertura
As disparidades regionais também marcam o panorama da formalização de empregadores e trabalhadores por conta própria no Brasil. A região Sul do país sobressai com o maior percentual de profissionais possuindo registro empresarial adequado. O desempenho contrasta fortemente com os resultados observados em outras áreas do território brasileiro.
Os dados oficiais indicam que a região Sul alcançou 46,7% de formalização entre os trabalhadores do segmento. O Sudeste aparece logo em seguida, empatado tecnicamente com o Centro-Oeste, ambos registrando 41,6%. Por outro lado, o Norte do país apresenta o menor patamar de cobertura, fixando-se em 15,6%, seguido pelo Nordeste com 20,1%.
A expansão nos estados do Sul e Sudeste ajudou a puxar a alta nacional da série histórica. Ambas as regiões ampliaram a cobertura de formalizados em 11,2 pontos percentuais desde o início da medição oficial realizada pelo instituto de estatística.
Sindicalização mantém estabilidade no mercado brasileiro
Além de detalhar o cenário do CNPJ, a pesquisa abordou a organização coletiva dos trabalhadores e revelou um panorama de estabilidade. A associação de profissionais a sindicatos manteve-se estável no período de referência, consolidando patamares observados no ano anterior. O indicador interrompe temporariamente um ciclo de oscilações mais intensas registrado em períodos passados.
O índice de sindicalização ficou fixado em 8,8% da população ocupada analisada. Em termos absolutos, esse percentual representa um total de 9,1 milhões de pessoas que mantêm vínculo formal com entidades sindicais. O volume de trabalhadores nessa condição permaneceu praticamente inalterado na comparação anual.
A estabilidade atual contrasta com a oscilação registrada no período imediatamente anterior. Em 2024, a taxa havia ficado em 8,9%, após um crescimento relevante na busca por representação sindical que havia interrompido uma longa sequência de quedas contínuas iniciada ainda no ano de 2014.


