Um terço da população brasileira enfrenta dificuldades financeiras recorrentes e relata que os rendimentos não chegam até o encerramento do período. Nos últimos doze meses, 34% dos brasileiros afirmaram que normalmente faltou dinheiro no fim do mês, de acordo com dados divulgados pela pesquisa Atlas/Bloomberg, realizada em setembro. Desse grupo total, 19,6% disseram que o orçamento foi insuficiente na maioria dos meses, enquanto 13,9% apontaram escassez em alguns meses específicos.
A resposta mais frequente entre os entrevistados indicou que a renda permitiu apenas arcar com todas as despesas básicas, sem deixar nenhuma margem para poupança. Essa situação de equilíbrio apertado foi relatada por 30,4% da população ouvida no levantamento nacional. Por outro lado, 36% dos participantes afirmaram que conseguiram guardar dinheiro em algum momento do período analisado, sendo que 16,3% guardaram recursos com regularidade e 19,7% economizaram em alguns meses.
Na comparação com o levantamento realizado em abril, o cenário apresentou variações positivas na proporção de pessoas que conseguiram guardar recursos. O percentual da população que poupou subiu de 31,5% para 36%, ao passo que a fatia dos que relataram falta de dinheiro recuou de 40,2% para cerca de 34%. Houve expansão também entre os que conseguiram pagar as despesas do mês, ainda que sem nenhuma sobra para reservas financeiras.
Diferenças na renda revelam disparidade no orçamento
A situação financeira apresenta diferenças marcantes quando segmentada de acordo com a renda familiar dos entrevistados. Entre aqueles que recebem até R$ 2 mil por mês, a escassez de recursos atinge a maioria esmagadora, somando 60,1% das respostas quando reunidos os que passam aperto sempre ou em alguns meses. Na mesma faixa de menor renda, apenas 14% conseguiram guardar alguma quantia ao longo do período analisado.
Em contraste, o panorama muda radicalmente entre os entrevistados com renda familiar superior a R$ 10 mil mensais. Nesse estrato social, 59,3% relataram ter conseguido guardar recursos, com destaque para 32,4% que poupam com regularidade. Mesmo nesse grupo mais abastado, contudo, ainda há registros de dificuldades pontuais, com 14,7% relatando falta de dinheiro em algum momento.
Preço dos alimentos lidera impacto negativo
Questionados sobre os principais fatores que afetam negativamente a situação financeira da família, os entrevistados puderam selecionar até duas alternativas na pesquisa. O aumento do preço dos alimentos foi apontado por 44,2% da população, liderando de forma isolada o ranking dos vilões do orçamento doméstico brasileiro no período avaliado pelo levantamento.
Em seguida, aparecem o encarecimento das contas básicas de consumo, como luz, água, gás e internet, citado por 32,1% dos participantes. As dívidas acumuladas e os juros elevados foram mencionados por 25% dos ouvidos, enquanto os impostos representaram o peso principal para 23,9% das famílias consultadas pela pesquisa nacional.
Metodologia detalha abrangência nacional
A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu um total de 5.015 adultos em todas as regiões do país entre os dias 17 e 22 de setembro. O levantamento estatístico apresenta margem de erro estimada em um ponto percentual para mais ou para menos, com um nível de confiança estatística estabelecido em 95% para os resultados obtidos.
O rigor metodológico da investigação é respaldado pelo registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral, onde a pesquisa está protocolada sob o número de identificação BR-04739/2026. Os dados oferecem um retrato detalhado sobre o comportamento financeiro e o impacto do custo de vida nas residências brasileiras.


