O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prepara para as próximas semanas a fixação de parâmetros claros para julgar a cassação de candidaturas e mandatos de políticos vinculados a milícias e facções criminosas. O alcance da tese jurídica ainda é motivo de debates internos na corte.
Uniformização das regras eleitorais
Uma das ideias em discussão para uniformizar o entendimento da Justiça Eleitoral é considerar inelegíveis todos os condenados por integrar organização criminosa. Essa medida, contudo, levanta dúvidas sobre a possibilidade de alcançar também políticos julgados por crimes do colarinho branco.
Mais de 15 candidatos já tiveram os registros de candidatura indeferidos por tribunais regionais eleitorais com base nessa fundamentação. Esses casos aguardam diretrizes definitivas do plenário do TSE.
Prazo estipulado para julgamento
O presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, tem a intenção de levar o tema para votação no plenário antes das eleições marcadas para o dia 4 de outubro. No entanto, a marcação oficial da data depende do andamento burocrático dos recursos que chegam ao tribunal.
A controvérsia jurídica ganhou força após uma decisão tomada em 2025. Na ocasião, o TSE cassou um político acusado de envolvimento com facções que sequer possuía condenação em segunda instância, limite tradicionalmente exigido pela Lei da Ficha Limpa.
Discussão sobre a linha probatória
Durante o julgamento anterior, a corte estabeleceu que a norma constitucional contra grupos armados tem eficácia plena para impedir interferências no pleito. Contudo, o tribunal não definiu uma linha de corte clara sobre o nível de prova exigido.
Nos estados, os tribunais regionais adotaram parâmetros variados. O principal impasse atual consiste em saber se uma simples investigação, uma denúncia formal ou uma condenação em primeira instância seria o requisito mínimo para afastar o candidato.
Abrangência de grupos criminosos
Outro ponto que divide os ministros nos bastidores é se a tese jurídica deve se restringir estritamente a milicianos e traficantes de facções ou se abrangerá outras modalidades de criminalidade organizada sem decisão definitiva.
A indefinição gera incerteza jurídica para partidos e candidatos em todo o país, aumentando a pressão sobre a cúpula do tribunal para uma definição rápida e padronizada antes da votação de outubro.


