O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou nesta terça-feira (22) uma ferramenta de Business Intelligence voltada para monitorar e mapear os casos de violência política de gênero no país. O painel reúne dados de ocorrências e processos, permitindo visualizar como os registros estão distribuídos pelo território nacional e identificar regiões com possíveis casos de subnotificação.
A iniciativa foi apresentada durante o evento “Violência Política TEM Gênero”, que reuniu representantes da Justiça Eleitoral e do Ministério Público para a assinatura de um acordo que prevê ações conjuntas de prevenção e enfrentamento desse tipo de conduta criminosa.
Nova ferramenta mapeia casos e processos
Por meio de um mapa interativo, o painel permite identificar os estados com maior concentração de registros e acessar informações detalhadas sobre processos cadastrados na Justiça Eleitoral. A ferramenta busca dar transparência ao cenário nacional e auxiliar órgãos de controle na fiscalização e no combate à impunidade.
Além da plataforma digital, a Justiça Eleitoral vai promover a capacitação de tribunais e zonas eleitorais para lidar e prevenir os episódios. O plano inclui o fortalecimento dos canais e redes de denúncia, além da ampliação da atuação conjunta com o Ministério Público Eleitoral para reprimir abusos.
Ações contra ataques no ambiente digital
As frentes de atuação também visam ampliar a divulgação de informações para que as vítimas consigam identificar e denunciar os abusos com mais facilidade. O enfrentamento de agressões no ambiente digital ganhou destaque, com foco em ataques coordenados, uso de deepfakes e outros conteúdos manipulados na internet.
Durante o evento de lançamento, autoridades reforçaram que a velocidade e o volume dos ataques virtuais ampliam o impacto sobre as candidatas e ocupantes de cargos públicos, exigindo respostas mais céleres e coordenadas dos órgãos competentes.
Balanço aponta centenas de acompanhamentos
Dados apresentados no evento indicam que o Ministério Público Eleitoral já acompanhou 419 casos em todo o país. Desse total, 93 ocorrências resultaram em denúncias formais apresentadas à Justiça por crimes relacionados à violência política contra a mulher.
Apesar dos números, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, avaliou que os registros ainda não refletem a dimensão real do problema no Brasil devido ao medo e ao desconhecimento de boa parte das vítimas.
Outras, mesmo sabendo, silenciam diante do medo, da pressão ou da estrutura de poder que enfrentam, afirmou Kássio Nunes Marques.
Impacto no afastamento dos espaços de poder
A ministra do TSE Estela Aranha pontuou que a violência e o constrangimento moral funcionam como mecanismos de desestímulo, afastando mulheres dos espaços de poder e desestimulando novas lideranças a ingressarem na vida pública.
‘. Esse constrangimento moral atinge a família, seus filhos, e ela sai da política. Mas ele também atinge a coletividade, porque, quando as outras mulheres veem isso acontecer, elas perguntam: ‘Por que eu vou entrar na política?’, declarou Estela Aranha.


