O empresário John Textor ajuizou uma ação na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro para tentar suspender a Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo Botafogo Social. A movimentação jurídica ocorre em meio a uma disputa intensa pelo controle acionário da Sociedade Anônima do Futebol do clube alvinegro, que envolve a Eagle Football e a cúpula associativa.
A Eagle Football viu sua participação acionária cair de 90% para 49% após um bônus de subscrição anterior, permitindo que o Botafogo Social alcançasse 51% e alçasse o presidente João Paulo Magalhães Lins à posição de acionista majoritário. Com a nova assembleia, o clube pretende deliberar sobre um aumento de capital de R$ 2 milhões com a emissão de 200 milhões de novas ações.
Textor busca obter uma liminar para proteger seus direitos como acionista e impedir que a cúpula associativa assuma totalmente a operação do clube. Sem a presença da Eagle Football, o plano envolve a transferência de ações para a nova investidora GDA Luma Capital, liderada pelo empresário Gabriel de Alba.
Disputa societária e acusações
Em declaração enviada para a imprensa, John Textor classificou a articulação do clube social como uma tentativa de assumir o controle da SAF de maneira irregular. O empresário americano afirmou estar agindo para proteger seus investimentos diante das barreiras impostas pela gestão associativa.
Nos últimos meses, o empresário tentou injetar capital adicional no clube por meio de ofertas que, segundo ele, foram bloqueadas ou ignoradas pelo conselho. As propostas incluíam aportes milionários que poderiam auxiliar nas restrições de registros e transferências de atletas.
A cúpula do Botafogo Social, por sua vez, defende a legalidade dos atos societários e segue com o planejamento administrativo voltado à busca de novos parceiros financeiros para a instituição alvinegra.
Decisões internacionais e cenário judicial
Na esfera jurídica, Textor tenta ser reconhecido formalmente como o proprietário das ações da SAF do Botafogo, contestando os efeitos da empresa Eagle Bidco. O empresário obteve vereditos favoráveis em tribunais dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Estou fazendo exatamente o que qualquer proprietário faria para proteger sua empresa e seu investimento. O Clube Social está tentando cometer um roubo à luz do dia, utilizando todos os recursos locais à sua disposição, e eu não permitirei isso.”
John Textor
No entanto, a conclusão definitiva depende do andamento dos processos na justiça brasileira, que ainda não homologou integralmente as decisões estrangeiras. Em maio, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a suspensão política da Eagle Football no clube.
A batalha jurídica se estende por diferentes instâncias enquanto o clube tenta estabilizar sua governança corporativa e definir os rumos administrativos para as próximas temporadas do futebol brasileiro.
Posicionamento oficial da Eagle
A defesa jurídica de Textor sustenta que as manobras adotadas pelo clube social prejudicam a estabilidade financeira e a capacidade de planejamento a longo prazo. O empresário reforçou que o clube necessita de capital saudável e transparente.
A nota divulgada à imprensa aponta que diversas propostas de financiamento externo foram recusadas pelo conselho sem justificativas claras aos torcedores. Para a gestão da Eagle, a prioridade é restabelecer os canais de investimento e assegurar o controle majoritário da SAF.
A expectativa da defesa é de que os tribunais cariocas examinem detalhadamente os fatos para reverter o cenário atual de diluição acionária e exclusão administrativa.
Próximos passos da SAF
Com a convocação da Assembleia Geral Extraordinária mantida no horizonte, o futuro administrativo da SAF permanece indefinido enquanto a 7ª Vara Empresarial não emite uma decisão sobre o pedido de liminar.
O desfecho do embate definirá se a GDA Luma Capital assumirá de fato as operações ou se a Eagle Football conseguirá reverter a perda de espaço no controle acionário do Botafogo.
Enquanto isso, torcedores e dirigentes aguardam os desdobramentos judiciais que devem moldar os rumos financeiros e esportivos do clube nos próximos meses.


