A rede estadual de ensino de São Paulo registrou um patamar alarmante de licenças médicas motivadas por questões psicológicas ao longo do último ano. Os dados obtidos apontam que os docentes somaram 33.309 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, o que representa uma média diária de aproximadamente 91 ocorrências nas escolas públicas paulistas.
As informações foram levantadas pelo Centro do Professorado Paulista com base em registros oficiais da Diretoria de Perícias Médicas do Estado de São Paulo. O cenário de adoecimento docente continua a se manifestar com intensidade no período seguinte, com a contabilização de 6.256 novas ocorrências de afastamento pelo mesmo motivo apenas entre os meses de janeiro e março de 2026.
Os registros integram a Classificação Internacional de Doenças, abrangendo o grupo geral de transtornos mentais. No entanto, os relatórios oficiais não detalham estatísticas específicas por patologia isolada, o que impede mensurar o peso exato de diagnósticos recorrentes como quadros severos de ansiedade ou depressão no total das licenças concedidas.
Dias perdidos e concentração regional
O volume de licenças concedidas no período gerou um impacto expressivo na rotina das unidades de ensino e na gestão de pessoal da rede pública estadual. Entre janeiro e setembro de 2025, os 25.699 afastamentos registrados nesse intervalo específico acumularam um total de 911.634 dias de ausência das salas de aula, resultando em uma média de cerca de 35 dias de afastamento por servidor.
A distribuição geográfica dos casos aponta uma forte concentração na Região Metropolitana de São Paulo, que respondeu por 52,5% do total de ocorrências em levantamentos anteriores da DPME, somando 13.534 registros. Na sequência das regiões com maior volume de afastamentos aparecem Campinas, com 3.356 casos, São José dos Campos, com 1.582, Santos, com 1.434, e Sorocaba, que registrou 1.351 licenças médicas.
Quando chegamos a dezenas de milhares de afastamentos em apenas um ano, precisamos entender que há um alerta importante sendo dado.”
Silvio dos Santos Martins
Especialistas e representantes sindicais destacam que esse volume expressivo de ausências evidencia falhas estruturais e um desgaste acumulado na rotina da categoria. O acúmulo de funções, a burocracia excessiva, a pressão por resultados e a exposição a episódios de vulnerabilidade nas escolas são apontados frequentemente como fatores determinantes para o colapso emocional dos educadores.
Entidades cobram melhorias estruturais
Para lideranças de classe, a concessão de licenças representa apenas o estágio final de um processo contínuo de esgotamento profissional que afeta os docentes antes mesmo do afastamento oficial. A discussão sobre o bem-estar no ambiente escolar, portanto, precisa ir além do suporte médico corretivo e abranger a valorização da carreira e a segurança nas instituições de ensino.
Representantes do magistério reforçam que a prevenção ao adoecimento mental exige intervenções profundas na qualidade das condições diárias de trabalho. A discussão sobre o tema envolve diretamente a busca por respeito e suporte para quem está diariamente nas escolas.
O debate ganha força diante de episódios recorrentes de conflitos e vulnerabilidade enfrentados por professores em municípios paulistas. A necessidade de criar um ambiente institucional seguro e acolhedor é tratada como prioridade por especialistas em saúde do trabalhador, que alertam para os riscos do desgaste contínuo na formação e na permanência dos profissionais na rede pública.
Secretaria oferece atendimento por telemedicina
Como tentativa de mitigar os impactos e oferecer suporte rápido aos servidores afetados, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo disponibiliza um canal de atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito. A iniciativa é conduzida por meio da Coordenadoria de Recursos Humanos e voltada especificamente aos profissionais vinculados à rede estadual.
O professor precisa encontrar condições para exercer sua profissão sem que o trabalho represente um processo contínuo de desgaste.”
Silvio dos Santos Martins
O acesso ao suporte ocorre por meio de uma triagem inicial realizada com profissionais de psicologia. A partir dessa avaliação preliminar, o servidor é direcionado para um plano de atendimento adequado às suas necessidades clínicas imediatas, com opções estruturadas para o tratamento remoto.
O modelo de assistência digital prevê pacotes que podem incluir sessões de psicoterapia ou o acompanhamento conjunto com especialistas em psiquiatria, dependendo da gravidade e da complexidade do quadro apresentado pelo educador durante a triagem inicial.
Confira as opções de suporte oferecidas
O programa de atendimento remoto implementado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo organiza o suporte psicológico e psiquiátrico em modalidades específicas para os servidores da rede.
Fonte: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
As consultas com psiquiatras dependem estritamente de encaminhamento clínico obtido após a avaliação na triagem com o psicólogo. Cada sessão de psicoterapia possui duração mínima de 45 minutos, e os agendamentos podem ser realizados diretamente por canais digitais institucionais, como o site oficial ou o atendimento via WhatsApp disponibilizado pela pasta estadual.
| Opções de atendimento psicológico na rede estadual | |
|---|---|
| Modalidade | Composição do pacote de suporte |
| Opção 1 | 1 consulta com psiquiatra e 2 sessões com psicólogo |
| Opção 2 | 3 sessões com psicólogo |


