Ônibus de romeiros tinha pneus gastos e autorização vencida

Polícia apura manutenção, cronotacógrafo e possível excesso de velocidade no veículo que caiu em ribanceira em Cruzeiro e deixou seis mortos.

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Redação
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Polícia apura manutenção, cronotacógrafo e possível excesso de velocidade no veículo que caiu em ribanceira em Cruzeiro e deixou seis mortos.Divulgação/ Polícia Militar de São Paulo
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O ônibus que caiu em uma ribanceira em Cruzeiro, no interior de São Paulo, e deixou seis mortos apresentava novos indícios de irregularidade identificados durante a investigação. Segundo informações da Polícia Militar e do delegado responsável pelo caso, a autorização para transporte interestadual de passageiros estava vencida, os pneus apresentavam desgaste e havia problemas no cronotacógrafo do veículo.

Os dados ampliam a apuração sobre a tragédia ocorrida na madrugada de domingo, 20 de setembro. O veículo transportava 48 pessoas em uma excursão de Minas Gerais para Aparecida, quando saiu da pista na Rodovia Doutor Avelino Júnior e caiu de uma ribanceira de aproximadamente 15 metros. Seis passageiros morreram e dezenas ficaram feridos.

Polícia aponta irregularidades

A Polícia Militar informou que a autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres para a viagem estava vencida. O ônibus, de placa BXF-8324, constava na base da agência em nome da empresa Meteoro Transportes Coletivas Ltda. A excursão era organizada pela Botelho Viagens, ligada ao próprio motorista.

Além da documentação, a investigação passou a concentrar atenção nas condições mecânicas. O delegado Rubens Melo informou que os pneus estavam desgastados e que o cronotacógrafo apresentava irregularidades. O equipamento registra dados da condução, como velocidade e tempo de operação, e pode ajudar a reconstruir os instantes anteriores à queda.

A polícia também verifica a possibilidade de excesso de velocidade no trecho. Essa análise depende da perícia, dos registros disponíveis no veículo e de outros elementos reunidos no inquérito.

As irregularidades surgem como fato novo em relação às primeiras informações divulgadas após o acidente, quando o foco estava no resgate das vítimas, na quantidade de mortos e feridos e no relato inicial do condutor.

Motorista relatou falha nos freios

O motorista afirmou às autoridades que teve dificuldade para reduzir a marcha durante a descida de serra e que, em seguida, os freios teriam falhado. Segundo o relato, ele perdeu o controle da direção antes de o ônibus sair da pista e descer a ribanceira.

A versão ainda é investigada e não substitui a perícia técnica. Os investigadores buscam determinar se uma eventual falha mecânica, as condições dos pneus, a velocidade do veículo ou uma combinação de fatores contribuíram para a ocorrência.

O condutor passou pelo teste do bafômetro, que deu resultado negativo para consumo de álcool. Depois de receber atendimento médico, ele foi preso sob suspeita de homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Viagem seguia para Aparecida

O grupo havia saído do Sul de Minas com destino ao Santuário Nacional de Aparecida. A viagem reunia romeiros de cidades da região de Lavras e Itumirim e seguia pela Rodovia Doutor Avelino Júnior quando ocorreu o acidente, por volta das 5h15.

O ônibus transportava 48 passageiros. Cinco pessoas morreram no local e uma sexta vítima não resistiu depois de ser socorrida. Cerca de 40 pessoas foram retiradas com vida, segundo os primeiros balanços das equipes de emergência.

Feridos foram encaminhados a hospitais e prontos-socorros de Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá. Bombeiros, Samu, Polícia Militar, Defesa Civil e equipes municipais participaram da operação de resgate, que mobilizou profissionais de diferentes cidades do Vale do Paraíba.

Equipes da Guarda Civil Municipal, SAMU, Defesa Civil e profissionais da rede municipal de Saúde e Segurança estão atuando em conjunto com os demais órgãos envolvidos.

Prefeitura de Cruzeiro

Perícia tenta definir causas

A investigação agora busca transformar os indícios encontrados no veículo em uma reconstrução técnica do acidente. A situação dos pneus, o funcionamento do sistema de freios, os dados do cronotacógrafo e as condições da rodovia estão entre os elementos que podem esclarecer por que o ônibus perdeu o controle.

A autorização vencida da ANTT também será analisada no contexto da operação da viagem. O transporte interestadual de passageiros exige regularidade documental e cumprimento das regras previstas para empresas e veículos autorizados a realizar esse tipo de serviço.

As condições observadas no ônibus serão confrontadas com laudos periciais e depoimentos. A polícia também poderá utilizar imagens, registros de atendimento e informações dos sobreviventes para definir a dinâmica da queda.

Até a conclusão dos exames, a causa do acidente permanece sob investigação. O fato novo confirmado nesta segunda-feira é que o veículo apresentava problemas de manutenção apontados pela polícia e não tinha autorização válida para a viagem interestadual que terminou na tragédia em Cruzeiro.

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