Letícia Colin e Michel Melamed retomaram o casamento, mas decidiram manter um formato diferente de convivência: cada um vive em sua própria casa. A atriz contou que a escolha ajuda o casal a conciliar agendas de trabalho intensas e, ao mesmo tempo, preservar o espaço individual de cada um.
Os dois chegaram a passar quase dois anos separados antes da reconciliação. Mesmo após reatarem, não voltaram a dividir a mesma residência. Segundo Letícia, a rotina profissional dos dois pesa na organização do dia a dia.
Michel atua como ator, diretor, dramaturgo e roteirista, enquanto Letícia mantém uma agenda frequente de gravações e projetos. O filho do casal, Uri, de 6 anos, também participa dessa dinâmica familiar.
A atriz afirma que a família já se adaptou ao formato e que a decisão está ligada à busca por uma convivência possível, concreta e compatível com a rotina dos três.
Casal retomou casamento sem dividir casa
Letícia explicou que a saudade existe, especialmente nos períodos em que ela e Michel estão mergulhados em projetos profissionais. Mesmo assim, o casal optou por não transformar a reconciliação em retorno à mesma residência.
Para a atriz, as duas rotinas são intensas e exigem organização. A escolha por casas separadas funciona como uma forma de preservar espaço individual sem encerrar a relação.
Tem vezes que a saudade aperta.
Letícia Colin
Ela também relatou que Uri está adaptado ao modelo. Na visão da atriz, a vida exige movimento, resiliência e capacidade de adaptação às condições reais de cada família.
O arranjo adotado por Letícia e Michel se aproxima de um modelo conhecido internacionalmente como LAT, sigla para “living apart together”.
O que significa viver em modelo LAT
LAT é a expressão usada para relacionamentos em que o casal mantém vínculo afetivo estável, mas vive em residências diferentes. Em português, a ideia pode ser resumida como “juntos, mas em casas separadas”.
O formato não pressupõe afastamento emocional. Em muitos casos, a separação física está ligada a questões práticas, profissionais, familiares ou à necessidade de preservar maior autonomia individual.
Na reportagem, a psicóloga Eudiléia Marcelino afirma que esse modelo pode ajudar pessoas que sentem dificuldade com a rotina compartilhada ou com a sensação de excesso de convivência.
Segundo ela, um dos benefícios possíveis é o equilíbrio entre o espaço pessoal e o espaço conjugal.
Individualidade pesa na decisão
Letícia associou a escolha à preservação da individualidade. A atriz vê a adaptação como parte de uma forma mais realista de organizar a vida familiar.
A lógica é evitar que a convivência diária obrigue o casal a ajustar permanentemente agendas, hábitos e demandas pessoais dentro do mesmo espaço.
A psicóloga ouvida pelo Metrópoles também aponta que o LAT pode tornar a relação mais leve em determinadas situações, justamente por reduzir parte das adaptações constantes exigidas pela coabitação.
O modelo, porém, não funciona da mesma forma para todos. A solidez do vínculo e a capacidade de comunicação continuam sendo fatores importantes.
Filho do casal já se adaptou
Uri, filho de Letícia e Michel, tem 6 anos e, segundo a atriz, já está adaptado à configuração familiar. Esse ponto é relevante porque famílias com filhos precisam organizar deslocamentos, rotina escolar e tempo de convivência.
Letícia relatou que a família está lidando bem com o formato e apresentou a mudança como parte de uma construção prática da vida cotidiana.
Em famílias que adotam residências separadas, a logística pode exigir mais planejamento do que em uma casa única.
Ao mesmo tempo, a organização pode oferecer a cada adulto períodos de maior autonomia e concentração em compromissos profissionais.
Modelo também traz desafios
Apesar das vantagens apontadas, viver em duas casas pode aumentar custos e criar dificuldades logísticas, especialmente quando existem filhos.
Também pode ser necessário investir mais esforço para manter a proximidade emocional e evitar que a distância física se transforme em afastamento afetivo.
Eudiléia Marcelino destaca que relações pouco sólidas podem enfrentar aumento de insegurança e desconfiança nesse formato.
Por isso, o LAT não deve ser entendido como uma solução universal, mas como uma possibilidade de organização conjugal que depende das características de cada casal.
Prática aparece em diferentes perfis
A reportagem cita pesquisa publicada na National Library of Medicine segundo a qual muitas pessoas em uniões LAT vivem separadas por razões práticas.
O levantamento mencionado aponta presença do formato entre jovens, pessoas com ensino superior, indivíduos que já coabitaram ou foram casados e também entre pessoas mais velhas, divorciadas ou viúvas que desejam preservar independência.
No caso de Letícia Colin e Michel Melamed, a decisão está diretamente associada às agendas profissionais e ao desejo de manter espaços individuais sem romper a relação.
A escolha do casal mostra como modelos de convivência podem variar mesmo dentro de relacionamentos estáveis e com filhos.


