Irmão de Diana relata reação incomum de Charles nas horas após morte da princesa

Charles Spencer afirma em novo livro que o então príncipe parecia animado ao telefone; Palácio de Buckingham questiona lembranças moldadas pelo luto

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Redação
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Charles Spencer revisita a morte da irmã Diana em livro de memórias que será lançado às vésperas dos 30 anos do acidente.Getty Images
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Charles Spencer, irmão da princesa Diana, afirma em um novo livro de memórias que o então príncipe Charles, hoje rei Charles III, pareceu incomumente animado durante uma ligação telefônica feita poucas horas depois da morte de Diana, em 31 de agosto de 1997. O relato aparece em “Swan Song: Diana, My Sister”, obra prevista para chegar às livrarias na próxima semana.

Spencer descreve a reação como muito diferente da de outras pessoas que telefonaram para oferecer condolências. Segundo ele, Charles aparentava estar “euforicamente animado”, impressão que o irmão de Diana associa ao modo como ouviu a voz e conduziu a conversa naquele momento.

O episódio é uma lembrança pessoal de Spencer, não um fato independente confirmado por testemunhas na ligação. O Palácio de Buckingham respondeu às repercussões do livro afirmando, em nota citada pela imprensa britânica, que o luto pode afetar memória e julgamento ao longo do tempo.

Livro revisita a madrugada

Diana morreu aos 36 anos após o carro em que estava bater no túnel da Pont de l’Alma, em Paris. Charles Spencer estava na Cidade do Cabo, na África do Sul, quando recebeu as primeiras informações sobre o acidente e depois a confirmação da morte da irmã.

Em seu relato, ele afirma que recebeu telefonemas de pessoas em choque e com dificuldade para falar. A ligação do então príncipe de Gales teria causado estranhamento exatamente porque, na memória de Spencer, o tom soava mais leve do que o contexto sugeria.

O autor diz ter pensado, na época, que Charles parecia alguém que havia recebido uma notícia extraordinariamente favorável. Essa interpretação aparece como percepção pessoal do irmão de Diana, quase três décadas depois do episódio.

O ponto central da controvérsia é a diferença entre a memória de Spencer sobre o tom da ligação e a impossibilidade de verificar hoje, de forma independente, o estado emocional de Charles naquele telefonema.

Spencer relata tensão no funeral

O livro também retoma discussões sobre a organização do funeral de Diana. Spencer afirma que entrou em conflito com Charles sobre a participação dos príncipes William e Harry na caminhada atrás do caixão.

Na época, William tinha 15 anos e Harry, 12. A imagem dos dois adolescentes acompanhando o cortejo tornou-se um dos registros mais conhecidos do funeral realizado em setembro de 1997.

Spencer diz que se opôs à ideia por acreditar que a irmã não gostaria de ver os filhos expostos daquela forma. A versão apresentada no livro reacende um debate antigo sobre como a família real administrou o luto público após a morte de Diana.

Palácio reage às memórias

O Palácio de Buckingham não apresentou uma reconstrução alternativa detalhada da ligação. A resposta divulgada à imprensa concentrou-se na natureza das memórias construídas durante períodos de sofrimento intenso.

A nota observou que o luto pode influenciar julgamento e lembrança. A formulação funciona como contestação indireta à segurança com que Spencer interpreta acontecimentos de quase 30 anos atrás.

O atual rei não fez declaração pessoal pública sobre cada alegação do livro. Por isso, as afirmações devem ser atribuídas a Spencer, sem tratá-las como descrição comprovada do estado emocional de Charles.

Obra antecede marco de 30 anos

“Swan Song: Diana, My Sister” será lançado perto do 30º aniversário da morte da princesa, que será lembrado em 2027. Charles Spencer apresenta a obra como um relato pessoal sobre a irmã e sobre a forma como ele viveu diferentes episódios de sua trajetória.

O livro também volta a episódios do casamento de Diana, relações familiares e decisões tomadas depois de sua morte. Trechos antecipados por veículos britânicos ganharam repercussão justamente por trazerem memórias privadas que envolvem integrantes centrais da família real.

Diana e Charles se divorciaram oficialmente em 1996. O então príncipe de Gales se casou com Camilla Parker Bowles em 2005 e tornou-se rei em 2022, após a morte da rainha Elizabeth II.

A publicação deverá ampliar o debate sobre memória, responsabilidade e versões conflitantes de acontecimentos que continuam a mobilizar interesse público. As passagens divulgadas até agora representam a perspectiva de Spencer, enquanto a reação do palácio ressalta que recordações de momentos traumáticos podem ser interpretadas de maneiras diferentes ao longo do tempo.

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