Groenlândia e Dinamarca dizem que acordo com EUA não cede soberania

Pacto deve ampliar a presença militar americana no Ártico, mas autoridades afirmam que território seguirá sob o Reino da Dinamarca

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Redação
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A Dinamarca e a Groenlândia têm insistido repetidamente para que Washington respeite a soberania do reino dinamarquês e aceite que a Groenlândia não está à venda —Pixabay
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Groenlândia e Dinamarca afirmaram neste sábado, 19 de setembro, que o novo acordo de segurança negociado com os Estados Unidos não representa cessão de soberania do território ártico. A manifestação ocorreu depois de Donald Trump dizer que Washington teria “controle permanente” sobre a segurança da ilha.

O acordo prevê uma presença militar americana mais ampla na Groenlândia e mecanismos para impedir a instalação de bases de países considerados adversários dos Estados Unidos e da OTAN, especialmente Rússia e China.

Os termos completos ainda não foram divulgados. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas insistem, porém, que qualquer ampliação da atuação americana ocorrerá sem alteração formal do status político da ilha, que integra o Reino da Dinamarca e possui governo autônomo.

Autoridades negam cessão de soberania

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que o acordo respeita as “linhas vermelhas” do Reino da Dinamarca e preserva a soberania existente sobre a Groenlândia.

Uma época de incerteza poderá dar lugar a um acordo vinculante que fortaleça a segurança no Ártico e no Atlântico Norte.

Lars Løkke Rasmussen

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também afirmou que o entendimento reconhece os interesses groenlandeses e protege o direito do território à autodeterminação.

A posição oficial de Copenhague e Nuuk é que a cooperação militar pode aumentar sem que a Groenlândia deixe de permanecer sob o Reino da Dinamarca.

Trump fala em “controle permanente”

Donald Trump apresentou o acordo em termos mais amplos ao dizer que os Estados Unidos terão “controle permanente” sobre a segurança da Groenlândia.

A formulação gerou dúvidas porque pode sugerir um alcance maior do que o reconhecido publicamente por Dinamarca e Groenlândia.

Até agora, não foram divulgados documentos que indiquem transferência formal de soberania territorial ou de autoridade política plena para Washington.

A diferença de linguagem entre as partes deverá permanecer no centro do debate até que o texto integral do acordo seja publicado.

Presença militar americana deve crescer

Os Estados Unidos já mantêm presença estratégica na Groenlândia por meio da Base Espacial de Pituffik, usada em atividades de defesa antimísseis, vigilância e monitoramento do Ártico.

O novo acordo prevê expansão dessa presença, embora o número de tropas, as novas instalações e o alcance operacional ainda não tenham sido detalhados.

Também há expectativa de regras que restrinjam investimentos ou instalações militares de países considerados rivais da OTAN.

O Ártico ganhou importância estratégica nos últimos anos por causa de novas rotas marítimas, recursos minerais e crescente presença militar de grandes potências.

Acordo tenta encerrar meses de tensão

As negociações ocorrem depois de meses de atrito diplomático provocados por declarações de Trump sobre a possibilidade de adquirir ou controlar a Groenlândia.

Dinamarca e Groenlândia rejeitaram reiteradamente qualquer hipótese de venda do território e afirmaram que decisões sobre o futuro da ilha cabem aos groenlandeses.

A nova fórmula procura transformar o impasse em um acordo de segurança dentro da estrutura da OTAN, sem mudança formal das fronteiras.

Autoridades europeias avaliam que um entendimento pode reduzir tensões entre aliados e reforçar a cooperação militar no Atlântico Norte.

Detalhes ainda permanecem em aberto

Questões relevantes ainda não foram esclarecidas, como a extensão da presença militar americana, regras sobre infraestrutura estratégica e eventual influência sobre decisões de política externa e recursos naturais.

Também não está claro como será dividido o financiamento das novas instalações ou quais áreas poderão receber bases adicionais.

Essas lacunas alimentam cautela entre moradores da Groenlândia e analistas que acompanham a disputa geopolítica no Ártico.

O acordo deverá passar por procedimentos políticos e jurídicos em Dinamarca e Groenlândia antes de produzir efeitos completos.

Assinatura é esperada na ONU

A previsão é que o acordo seja formalizado durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na próxima semana.

A assinatura deve marcar uma nova etapa na relação entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia depois de um período de forte incerteza diplomática.

Para Washington, o pacto amplia a capacidade de atuação militar em uma região considerada central para a competição com Rússia e China.

Para Dinamarca e Groenlândia, o principal desafio será conciliar essa cooperação com a manutenção clara da soberania e do direito de autodeterminação do território.

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